11 de maio de 2009

A Administração da Produção Parte 3 _ LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL e LOGÍSTICA

Continuação do texto de Guilherme Arruda O QUE É LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL A localização das dependências de uma empresa, seja ela uma indústria de manufatura ou uma empresa de serviços, é uma decisão de longo prazo a ser tomada pelo administrador de produção. Uma vez escolhido o local a empresa lá permanece por muito tempo e nesse período terá tranqüilidade para desenvolver suas atividades ou irá arcar com os custos e demais problemas gerados pela escolha inadequada. É, portanto, uma decisão tomada basicamente no sentido de procurar o menor custo para a instalação de uma nova unidade ou para a mudança de instalações já existentes, bem como devem ser levados em consideração outros fatores não econômicos. CUSTOS DA LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL No que se refere ao aspecto custo, o administrador de produção vai deparar-se com três tipos básicos: 1 - Custos tangíveis- São aqueles que podemos medir diretamente, tais como: • Custo da aquisição do terreno (se a opção for construir - determinados tipos de negócios admitem edifícios construídos especificamente para seu uso, tais como: aeroportos, estações de TV, hidroelétricas, ambulatórios médicos, etc); • Custo do aluguel de um edifício pronto (caso exista um que se adapte as necessidades da indústria em questão); • Custo de transporte de matérias-primas, combustíveis e outros insumos necessários à produção (ver: localização pela entrada); • Custo de transporte do produto acabado até os pontos de distribuição ao mercado consumidor; • Custo da água e energia elétrica; • Custo dos impostos federais, estaduais e municipais; • Custo dos seguros necessários; • Custo de mão-de-obra para a construção do edifício (se for o caso); • Custo da mudança (se for o caso) , incluindo os custos devidos à parada de produção ocorrida durante a mesma. 2 - Custos intangíveis - São aqueles que, embora não sejam medidos diretamente, podem ser distinguidos pela experiência do administrador de produção. Devido a esse aspecto, representam a parte mais importante da responsabilidade da decisão do local das novas instalações. São exemplos de custos intangíveis: • Disputa da mão-de-obra disponível: que ocorre quando há uma concentração rápida de empresas em uma mesma região, pois na medida em que a mão-de-obra vai rareando, principalmente a mais especializada, as faixas salariais são aumentadas para atrair esses profissionais, gerando um custo final de mão-de-obra maior que o previsto inicialmente. São exemplos desse tipo de concentração mencionado a Zona Franca, os Distritos Industriais e os Pólos Petroquímicos. Deve-se levar em consideração que o emprego de mão-de-obra menos qualificada, portanto mais barata, pode levar a um nível maior de automatização do processo de produção, dependendo do seu nível de sofisticação, em outras palavras, deverão ser adquiridos equipamentos que realizem suas tarefas com um mínimo de intervenção do homem; • Relações conflitantes com os sindicatos da região: este fato, embora hoje bastante amenizado, levou à saída de várias empresas da região da Grande São Paulo e ABC (Brastemp, Villares, Maxion, etc) para o interior do Estado de São Paulo, com certa predominância para a região de Sorocaba, ou mesmo para outros Estados; • Relações conflitantes com a comunidade do local onde se está estudando a instalação da nova fábrica: este fator cresce em importância na proporção direta em que a comunidade seja mal informada a respeito do processo produtivo que será colocado em prática, principalmente se dele resultarem poluição, ruídos, alterações devido ao movimento de fornecedores e até migração em massa de mão-de-obra na época da construção da fábrica (p. ex.: Cubatão). Os problemas podem variar desde manifestações organizadas pelas lideranças locais até embaraços com os serviços de infra-estrutura a serem fornecidos pelo poder público municipal (ex.: pedreira de São Vicente). Por outro lado devemos considerar que diversos municípios têm criado distritos industriais, fornecendo infra-estrutura, como: água, eletricidade, rede de esgotos, arruamento, além de isenção temporária ou abatimento de impostos municipais, chegando muitas vezes a vender os terrenos necessários a preços abaixo do valor de mercado criando assim condições de atração para indústrias de seu interesse. Estes projetos amparados por uma campanha de esclarecimento junto a população, criam empregos e trazem benefícios para a comunidade como um todo. 3) Custos devidos a fenômenos naturais - Embora no Brasil praticamente inexistam problemas de maior vulto com fenômenos naturais, são cada vez mais freqüentes as secas e inundações em diversas regiões do país, causando diferenças substanciais nos valores pagos às seguradoras. - Limites tecnicológicos - Considerados estes aspectos iniciais, ligados ao aspecto custo, precisamos agora avaliar os limites técnicos que devemos levar em conta nesta escolha de um local apropriado para a instalação de uma unidade industrial produtiva ou de serviços: a) Localização "Pela Entrada": trata-se de procurar a melhor localização para as instalações da empresa avaliando principalmente o impacto que o fornecimento de matéria-prima terá sobre o dia-a-dia da fábrica. Esse critério é utilizado preferencialmente quando temos predominância de processos do tipo "analítico", ou seja, a matéria-prima básica (volumosa e pesada) é quebrada, transformada e decomposta em vários produtos e subprodutos e consumida em grandes quantidades. São exemplos mais importantes: Petroquímica, Refinarias, Siderúrgicas e Indústrias pesadas em geral. b) Localização "Pela Saída": Este critério de avaliação do local a ser escolhido como futuro endereço da empresa é utilizado quando nossa importância maior está na posição em relação aos clientes. Neste caso os processos são ditos "sintéticos", isto é, as várias partes componentes do conjunto e outros materiais necessários a sua forma final são juntados à corrente principal, onde são trabalhados para formar o produto final. São exemplos mais importantes: Indústrias de confecção, autopeças e principalmente as empresas de serviços. Existem ainda empresas cuja natureza das atividades torna difícil distinguir entre processos "analíticos" e "sintéticos". Nestes casos, a análise feita pelo administrador de produção deve ser ainda mais criteriosa no levantamento dos custos envolvidos. Um dos critérios de desempate pode ser, por exemplo, a análise do custo da mão-de-obra nas regiões candidatas à sede da empresa. Dependendo da natureza do produto/serviço da empresa deve ser feita a correspondente análise da mão-de-obra mais adequada: As empresas de serviço necessitam de mão-de-obra especializada e em pouca quantidade; já as empresas de produção "pesada", exigem grandes contingentes de mão-de-obra em geral pouco qualificada. c) Localização pela exigência do processo: Neste caso o nível de responsabilidade do administrador sobre o local onde será localizada a empresa é minimizado pelo menor número de opções a considerar. Os locais tem que obrigatoriamente preencher certos pré-requisitos indispensáveis, como, por exemplo, proximidade a grandes quantidades de água, de fornecimento de energia elétrica, de minérios ou carvão, plantações, criações de animais, etc. Evidentemente, não devemos esquecer que quaisquer processos que gerem poluição nas suas variadas formas devem ser colocados a uma distância adequada das comunidades vizinhas, evitando assim os transtornos comentados acima. Construir, comprar ou alugar? Finalmente, devemos observar a conveniência de construir, alugar ou comprar um imóvel pronto. Se não existem instalações adequadas a solução e construir, este é o caso dos aeroportos, estações de teve e hidroelétricas. Quando há imóveis disponíveis, a decisão entre alugar ou construir depende do confronto custo x benefício entre as duas. Se a decisão for construir deve ser feito um planejamento completo das obras onde estejam previstas além das áreas necessárias a produção, outras como ambulatório médico ou pelo menos uma enfermaria; restaurantes de um mais tipos; salas para reuniões, que possam atender desde uma reunião de diretoria até reuniões de C.I.P.A., C.C.Q.; e, conforme o caso, até a instalação de uma creche, de forma a atender a legislação vigente. Para maior conforto dos funcionários, o projeto pode incluir estacionamento, locais abrigados para a entrada dos ônibus que servem as linhas mantidas pela empresa ou portarias próximas de locais de serviços de transporte coletivo. A LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL HOJE A localização da fábrica é hoje função do mercado a ser atendido. Muito mais que considerações sobre incentivos fiscais, importa às empresas agilidade de entrega de seus produtos, sejam eles dirigidos ao consumidor final ou a um transformados e/ou montador. Daí a proliferação por todo o mundo de fábricas de automóveis, mesmo com a permanência dos centros de excelência - como encarregados do desenvolvimento de produtos, projetos de ferramentas e equipamentos, especificações técnicas - e das sedes em países desenvolvidos, carregando consigo as fábricas de fornecedores (parceiros) e reservando a essas instalações regionais apenas o aspecto operacional de montagem. A palavra de ordem é reduzir inventários, a ponto de ser comum o conceito de que o próprio meio de transporte é um mini-armazém. LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL Ao longo dos últimos anos a proliferação dos “Distritos Industriais”, levou grupos de empresas a fixarem-se em determinados municípios, conforme a melhor oferta de cessão de terrenos e isenção de impostos. Existem casos especiais de concentração de empresas em função de condições favoráveis de isenção de impostos, como a Zona Franca de Manaus, e casos em que a concentração se dá em um segmento apenas, como os Pólos Petroquímicos (Camaçari, Cubatão, etc). Ultimamente, em virtude da necessidade de agilidade na informação, algumas empresas tem procurado locais servidos de boa rede de telecomunicações; outras, afetadas fortemente pelo nível de qualidade final de seus produtos, tem procurado locais onde a mão-de-obra apresente melhor qualificação. Apesar dessas mudanças, uma boa escolha do local onde instalar uma empresa levará em conta uma avaliação ponderada de todos esses fatores que levem a melhor opção de custo. O QUE É LOGÍSTICA De acordo com o dicionário Aurélio, logística vem do francês “logistique” e tem como uma de suas definições “parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de: projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos)” O termo Logística foi desenvolvido pelos militares para designar estratégias de abastecimento de seus exércitos nos "fronts" de batalha, com intuito de que nada lhes faltasse. Armamentos, munições, medicamentos, alimentos, vestuários adequados, nas quantidades certas e ao tempo certo, eram de suma importância, pois não adiantaria absolutamente nada se os soldados recebessem tudo aquilo que necessitavam depois de derrotados pelo inimigo. A Logística então surge aí. Em tempo de globalização e de alta competitividade empresarial. A logística, hoje em dia é sem sombra de dúvida o grande diferencial em termo de gestão administrativa. Em termos atuais, podemos dizer, em poucas linhas, que logística é a arte da preparação da produção que cuida: 1. Do planejamento dos materiais; 2. Da obtenção de materiais; 3. Do planejamento da linha de produção; 4. Da alimentação das linhas de produção; 5. Da distribuição dos produtos finais. Após o "boom" de desenvolvimento e melhorias do processo produtivo e da qualidade, as atenções se voltaram para este segmento como sendo uma das áreas restantes que poderiam reduzir custos, aumentar produtividade e, principalmente, trazer melhor atendimento aos clientes. A logística tem sido foco de atenções, de cursos e sua grande amplitude tem despertado interesse em muitos estudiosos. Novos processos, novos estudos e testes têm criado novas ferramentas de trabalho, que colaboram ainda mais para o amadurecimento do reconhecimento da logística como aumento no pacote de valor oferecido ao cliente. A Logística empresarial é vital para a economia e para a empresa individual. É fator-chave para incrementar comércio regional e internacional. Sistemas logísticos eficientes e eficazes significam melhor padrão de vida para todos. Na firma individual, atividades logísticas absorvem uma porção significativa de seus custos individuais. Estes custos, que são em média cerca de 22% das vendas, determinam muitas vezes se uma firma será competitiva. Boa administração é essencial. OBJETIVO DA LOGÍSTICA A Logística empresarial tem como objetivo prover o cliente com os níveis de serviços desejados. A meta de nível de serviço logístico é providenciar bens ou serviços corretos, no lugar certo, no tempo exato e na condição desejada ao menor custo possível. Isto é transportes, manutenção de estoques, processamento de pedido e de várias atividades de apoio adicionais. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A Administração de materiais e a distribuição física integram-se para formar o que se chama hoje de logística empresarial. Muitas companhias desenvolveram novos organogramas para melhor tratar das atividades de suprimento e distribuição, freqüentemente dando status de alta administração para a função, ao lado de marketing e produção. O tempo da logística empresarial está chegando e uma nova ordem das coisas está começando. A natureza da distribuição física faz parte da logística empresarial. Distribuição física é aquele aspecto da administração de empresas que trata de servir a demanda pelos produtos e serviços da firma. Ela é executada nos três níveis da administração: 1) No longo prazo, isto é, o planejamento estratégico de como a distribuição deve ser executada; 2) A utilização do sistema de distribuição, isto é, o planejamento tático; 3) A execução diária das tarefas de distribuição, isto é, a operação. As muitas alternativas que a administração tem para garantir serviço de distribuição física eficiente e eficaz fazem desta uma área complexa para o gerenciamento. Compensação De Custos, Custo Total E Sistema Total Os conceitos de compensação de custos, do custo total e do sistema total são muito importantes para o tema em tela; • A compensação de custos: reconhece que os modelos de custos das várias atividades da firma por vezes exibem características que colocam essas atividades em conflito econômico entre si; • Custo total: reconhece que os custos individuais exibem comportamentos conflitantes, devendo ser examinados coletivamente e balanceados no ótimo. Os conceitos de custo total e compensação de custos caminham lado a lado; • Sistema total: representa uma filosofia para gerenciamento da distribuição que considera todos os fatores afetados de alguma forma pelos efeitos da decisão tomada. Essencialmente, esses conceitos nos animam a olhar além da minimização dos custos isolados de transporte, de estoque ou de processamento de pedidos. Pelo contrário, áreas que têm comportamentos opostos nos seus perfis de custo, como transportes e estoques, devem ter suas parcelas de custo identificadas e balanceadas numa combinação ótima. Esta idéia de compensar custos conflitantes deveria ser estendida até os limites da responsabilidade pela distribuição física da firma, uma vez que existem interfaces com áreas como marketing e produção e mesmo com atividades logísticas das firmas, além dos limites da própria empresa. O tipo de distribuição depende em grande parte da natureza do produto movimentado, do padrão de sua demanda, dos custos relativos das várias opções de distribuição física e das exigências de nível de serviço.

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