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9 de novembro de 2011

Você sabia que seu lixo mostra quem você é?


Lendo e refletindo sobre um artigo da Bióloga e Gestora Ambiental Érica Sena, verifiquei o quanto ainda temos que avançar, mas as medidas vão além da educação e da conscientização da sociedade, ela tem também aspectos políticos.

Um das grandes preocupações ambientais da atualidade é o que fazer com o lixo urbano, principalmente o residencial e o comercial.
Depois de termos algumas gerações vivendo um período de consumismo desenfreado - sem a plena consciência ambiental, as novas gerações devem ser preparadas para evitarem o desperdício e viverem de forma mais sustentável; as escolas terão um papel primordial, mas para isso é necessário se renovar e inovar.

A “educação” e a “conscientização”, são os principais ingredientes para a resolução do problema da “cultura do lixo urbano”. Em países desenvolvidos, o descarte do lixo já é feito em locais designado para esse fim; a coleta em na porta de casa é um luxo que muitos países ricos não se dão.

Em vários países da Europa, o sistema de “coleta” de lixo acontece com a conscientização, você leva seu lixo devidamente separado e o descarta em locais próprios que tenham infra estrutura para separação dos materiais, em depósitos ou containers específicos.

Esse modelo poderia ser adotado no Brasil, as cooperativas seriam o local para o descarte do “lixo urbano”, as prefeituras ficariam encarregadas da coleta do material não aproveitável e do pagamento das Cooperativas e os materiais recicláveis virariam complemento de renda dos cooperados, assim os garis teriam a função da conservação do Patrimônio Público.
Se nós refletíssemos o que fazer com o lixo, teríamos uma sociedade mais consciente, a separação do lixo é essencial para o funcionamento correto das cidades de hoje.
Só temos uma certeza, o futuro dependerá das medidas do presente, do agora!!!! 



Você sabia que seu lixo mostra quem você é?

Por Érica Sena
Bióloga, Gestora Ambiental, Educadora

Como assim? 
Bem, eu te explico caro leitor, mas antes te faço outras perguntas: “o que é lixo para você?”,“ de onde ele vem ?”, ‘ para onde ele vai?”. Lá estou eu te enchendo de perguntas estranhas, não é?”.

Foram estas mesmas perguntas que fiz aos meus alunos do EJA e para surpresa descobri que coisas que pareciam óbvias para mim, não eram para eles.  Assim, percebi que falta informação e  sensibilização de todos.  Só respeitamos e cuidamos daquilo que conhecemos e gostamos, não é mesmo? . Por isso resolvi tentar novas vias de acesso a essa sociedade carente de informação e massacrada pela mídia. Será que conseguirei? Espero que algumas sementes germinem dentro de alguns de vocês. E que vocês semeiem também.

Voltando ao foco principal,  lixo é todo resíduo vindo das atividades humanas, que são descartados na maioria das vezes, sem haver preocupação se teria outra serventia, para onde iria e se sua disposição era correta. Ainda bem que esse conceito está sendo mudado e cada vez mais cresce esta preocupação em separar materiais que possam ser reutilizados e reciclados, diminuindo assim a quantidade de lixo jogado nos aterros.

Quem nunca viu alguém jogando das janelas de carros, ônibus, ou mesmo a pé, lixo no chão? Infelizmente são cenas corriqueiras em nossa cidade. Será que estas pessoas têm noção da conseqüência de seus atos, como enchentes, proliferação de animais e doenças, mau cheiro, sujeira, talvez não.

 O aumento do consumo favorecido pelo capitalismo levou ao acúmulo de lixo e a gerou toda uma problemática ambiental atual. Através da análise de seu lixo podemos ver a que classe social pertence, suas marcas prediletas, sua alimentação e sua falta de preocupação com o meio ambiente. Por isso, acrescente a sua vida os 5 Rs do lixo:

Repense no que deve consumir, se agride ou não o meio ambiente ,se tem trabalhos socioambientais, se não trata de mais supérfluos em sua casa.

Reduza o seu consumo..compre apenas o necessário.

Recuse produtos que não sejam ambientalmente corretos, além de embalagens como as sacolinhas de plástico.

Reutilize embalagens, produtos que ainda sirvam para artesanatos, ou mesmo doe para outras pessoas, ONGs.

Recicle, ou melhor, faça a coleta seletiva e permita que indústrias reciclem. Nós confundimos os termos reciclagem com reutilização. Mas isso  deixaremos para  depois.

O Lixo

Texto de Luis Fernando Veríssimo

Encontram-se na área de serviço.
Cada um com seu pacote de lixo.
É a primeira vez que se falam.
- Bom dia…
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
- Pois é…
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah…
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena…
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
- Entendo.
- A senhora também…
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim…
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra…
- A senhora… Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é…
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo…
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos…
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler…
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
- Ontem, no seu lixo…
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode…
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?




10 de agosto de 2011

Contextualizando as questões ambientais


                                              
 

Por Jorge Paulino
Engenheiro  Eletricista e de Produção

Por muito tempo a questão ambiental no Brasil foi relegada a um segundo plano e essa cultura vem desde o descobrimento com a exploração desordenada das riquezas, até os dias de hoje com o crescimento das cidades, com aumento da população e o desmatamento para construção de moradias - o meio ambiente sofre ação degradativa por parte do homem. Acreditava-se que as riquezas existentes no país eram abundantes e infinitas, mas percebeu-se que isso era um equívoco, pois até boa parte do nosso século as reservas de água potável do mundo eram consideradas inesgotáveis. Com o desenvolvimento industrial e a conseqüente contaminação das águas, a explosão demográfica e a sua concentração em grandes centros urbanos, contribuíram para demonstrar que essa crença era infundada. 
Devido à degradação de sua qualidade, que se acentuou a partir da II Guerra Mundial, a água doce líquida que circula em muitas regiões do mundo já perdeu sua característica especial de recurso renovável, principalmente nos países do Terceiro Mundo e países em Desenvolvimento; na medida que os efluentes e/ou os resíduos domésticos e industriais são dispostos no meio ambiente sem tratamento ou de forma inadequada. 
Os desequilíbrios da oferta de água às populações, as questões da disponibilidade e dos conflitos pelo seu uso também apresentam seus aspectos preocupantes.
A água para os seres humanos é imprescindível, e se os recursos hídricos continuarem a ser poluído, não só a água que se bebe ficará inviável ao consumo, mas também os alimentos serão atingidos.
Produzir água para consumo humano, a cada dia torna-se mais caro, principalmente pela contaminação ou exaustão dos mananciais mais próximos. Cada vez mais é necessário buscar outros mais distantes e mais caros; o consumo de água não depende apenas do nível sócio econômico de uma região ou de um povo, mas é também associado ao uso de equipamentos com tecnologias mais eficientes e processos mais otimizados. É necessário dar ênfase para os usos finais, ou seja, do modo como a água está sendo utilizada.
Em função da relativa abundância de água no Brasil, o setor industrial nunca teve uma grande preocupação com este insumo, podemos excetuar os setores que se utilizam água como matéria-prima ou com influência direta sobre o produto final, porém com o aumento da cultura da Responsabilidade Ambiental as empresas passaram a investir em soluções para o reuso da água.
Diversas ferramentas necessárias foram incorporadas em um PCA - Plano de Conservação de Água, tais como Auditoria do Consumo, Diagnóstico do Consumo, Planos de Intervenção e Avaliação do impacto de redução e os resultados obtidos são avaliados dentro dos contextos específicos em que se encontram inseridos; as situações de economia e otimização encontradas em cada exemplo não devem ser extrapoladas para outro, pois a realidade do consumo muda sob inúmeras variáveis, particularmente pela ação do usuário.
De acordo estatística do  IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil encontra-se em quinto lugar entre os países mais populosos do mundo e que mais de 2/3 da população do Brasil concentra-se em área urbanas onde são necessários padrões articulados de gestão como o de tratamento de água.
Atualmente, com o surgimento de problemas relacionados à escassez e poluição de água nos grandes centros urbanos, começa haver um maior interesse por parte de vários setores econômicos pelas atividades nas quais a água é utilizada, o que também é motivado pelas recentes políticas federais e estaduais sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. 
A água é um insumo essencial à maioria das atividades econômicas e a gestão deste recurso natural é de suma importância na manutenção de sua oferta em termos de quantidade  e qualidade, várias atitudes proativas estão sendo implementadas, nesse sentido, pois apesar da aparente abundância de recursos hídricos no Brasil (14% das águas doces do planeta e 53% do continente sul americano), sua distribuição natural é irregular nas diferentes regiões do País.
Foi pela carência de instrumentos de gestão que conflitos entre usuários se instalaram em algumas bacias hidrográficas brasileiras até o final do século XX, situação que está sendo revertida com a implementação do  Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos - SINGREH.  Trata-se de fato importante, uma vez que o cenário que se apresenta é o de crescimento urbano- industrial e agrícola que certamente será acompanhado pelo aumento da demanda de água. 
Armazenar chuva para limpar o quintal e regar plantas, está se tornando uma prática comum principalmente em época de rodízio no fornecimento de água. 
Nos prédios comerciais e residenciais, os sistemas de tratamento já vão bem além desse tipo de aproveitamento e permitem cortar até pela metade o valor da conta de abastecimento e esgoto, grandes condomínios estão investindo em projetos de Estações de Tratamento de Efluentes e Estações de Tratamento de Água; a água após a passagem pela estação pode ser utilizada em jardinagem, na limpeza e até nas descargas dos sanitários.
Embora o investimento ainda seja alto, a redução nas contas de água e esgoto pode atrair até mais que o engajamento ambiental, e já se objetiva a dar subsídios na adoção de soluções eficientes na concepção das novas edificações ou na modernização das já existentes.
  
 


Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.




24 de maio de 2010

Métodos AdHoc e Cartográficos para Avaliação de Impacto Ambiental

Por Leonam Souza

Engenheiro Agrônomo

Disponível em: http://leonamsouza.blogspot.com/

Impacto Ambiental, apresentamos a seguir dois métodos utilizados para a avaliação das alterações que surgem durante a implantação e operação de um projeto, programa ou empreendimento.

MÉTODOS AD HOC

Os métodos Ad Hoc, como sua própria denominação indica, são elaborados para um projeto específico, identificando normalmente os impactos através de longa reflexão, caracterizando-os e sintetizando-os em seguida por meio de tabelas ou matrizes. (Ad Hoc, do Latim, que significa “para isso”, “para esse caso”). Neste método de avaliação de impacto ambiental são feitas reuniões de técnicos e cientistas cujas especialidades são escolhidas de acordo com as características da proposta a ser analisada. Essas reuniões são organizadas com a finalidade de se obter, em um tempo reduzido, respostas integradas, baseadas no conhecimento individual de cada especialista. Às vezes, aplica-se o método Delphi para organizar os trabalhos com o objetivo de consolidar resultados no menor tempo possível. Geralmente o nível de coordenação do grupo é pouco eficiente, e as diretrizes do estudo bastante genéricas. Estes métodos podem fornecer uma orientação mínima no contexto da avaliação de impactos, apontando determinados componentes do meio ambiente com maiores possibilidade de serem impactados, como por exemplo, indicar que os efeitos negativos mais contundentes recairão sobre a flora e fauna de áreas lacustres ou de áreas florestadas.

MÉTODOS CARTOGRÁFICOS

Os métodos cartográficos foram desenvolvidos no âmbito do planejamento territorial. O mais conhecido é o Método McHarg, desenvolvido em 1969, para determinar aptidões territoriais através de superposição de mapas de capacidade, confeccionados em diferentes tons de cinza para quatro usos distintos de solo (agricultura, recreação, silvicultura e meio urbano), estabelecem-se as possibilidades de usos combinados. Existem ainda outros métodos, em geral próximos ao do determinismo ecológico de McHarg, como o de M. Falque, desenvolvido na França, o de Tricart e, mais recentemente, aqueles que utilizam imagens de satélite para analisar os efeitos sobre o meio ambiente, envolvendo a aplicação de programas de computador como os SIG's – Sistemas de Informação Geográfica. Procurou-se adaptar esses métodos para aplicá-los na avaliação de impactos ambientais visando à localização, identificação, e extensão dos efeitos sobre o meio ambiente, através do uso de fotografias aéreas, imagens de radar ou de satélites.

As principais vantagens destes métodos consistem na grande capacidade e objetividade para representar a distribuição espacial dos impactos, sendo limitados, contudo, quanto à capacidade de identificação dos impactos indiretos e de considerar os impactos sócio-econômicos. Podem ser úteis na elaboração de zoneamentos ambientais. Mais recentemente, o método de Análise do Risco Ecológico, partindo deste enfoque, evoluiu para incorporar condicionantes socioeconômicos e problemas de desenvolvimento regional, permitindo superar algumas dessas limitações (Faria, 1983).

Neste método, superpõe-se uma série de mapas (transparências) relativos às características ambientais: critérios físicos, ecológicos, sociais, econômicos, estéticos, etc. da área estudada. O mapa-síntese assim obtido, fornecerá uma caracterização do estado do meio ambiente, sob a forma de imposições ecológicas ou aptidões de utilização segundo a vulnerabilidade ou potencialidade da área. Uma localização das atividades pode então ser proposta, em vista da utilização melhor possível do solo e das potencialidades do meio ambiente. Este método é baseado no conhecimento aprofundado dos elementos do meio natural. Algumas vezes, o número de mapas pode ser muito grande e, nestes casos, pode-se usar uma superposição automática utilizando computadores. Através dos mapas-síntese, são identificadas zonas sensíveis e por vezes, o seu nível de sensibilidade.

Os principais tipos de mapas gerados são:

- Mapas de potencialidade ou vocação para os diferentes usos alternativos do solo A zona será considerada apta ou inapta para a agricultura em função da topografia, natureza dos solos, possibilidade de irrigação, etc., ou ainda, ela pode ser apta ou inapta em função dos riscos de cheias, avalanches, inserção na paisagem, etc. Os mapas de vocação são geralmente empregados nos grandes projetos de construção nos quais o meio ambiente existente constitui parte integrante essencial do mesmo: auto-estrada, linhas de transmissão, aeroportos, zonas turísticas, barragens, etc.

- Mapas de limitações de proteção do meio (de sensibilidade ou de vulnerabilidade) relativo a mudança proposta.

Com este método, é possível, por exemplo:

a) Definir as zonas de proteção onde a poluição atmosférica não deve ultrapassar um certo limite, sem se preocupar com a origem da poluição (transporte, indústria);

b) Definir as zonas agrícolas nas quais o uso de fertilizantes será limitado;

c) Definir as zonas de proteção de trechos de um rio onde os rejeitos deverão satisfazer a certas normas.

Os mapas de limitações são mais usados em projetos de impacto de equipamentos isolados que suprimem o meio pré-existente, tomando o lugar deste último ou onde os constituintes do meio ambiente são usados como matéria-prima para a produção, instalação de indústrias, centrais nucleares, etc.

Este método é muito útil ao avaliador, pois ele fornece resultados facilmente apresentáveis, facilitando o acesso do público às informações.

Porém é insuficiente no que se refere a avaliação dos impactos sobre o meio socioeconômico.

Vale salientar que existem programas de computadores que permitem fazer o traçado ótimo de empreendimentos rodoviários, ferroviários, fluviais, etc., levando em conta os aspectos do meio ambiente e os fatores de custo.

19 de maio de 2010

Impactos Ambientais - Introdução aos métodos de avaliação

(Foto: lixo acumulado na barragem de Pedreira, rio Pinheiros - São Paulo. Leonam, 2010)

Por Leonam Souza
Engenheiro Agrônomo 

Técnicas ou métodos de avaliação de impactos ambientais são instrumentos que visam identificar, avaliar e sintetizar os impactos de um determinado projeto, programa ou empreendimento. A aplicação destes métodos, entretanto, mostra-se limitada pela própria dificuldade de prever a evolução de sistemas tão complexos quanto os ecossistemas. Estas limitações tornam-se ainda mais evidentes quando tratamos com impactos sociais, onde tanto a identificação como a predição e a avaliação da dinâmica social desencadeada por uma ação ou projeto estão sujeitas a aspectos de caráter econômico, cultural e psicológico, de apreensão bastante complexa. Os métodos que vêm sendo aplicados são basicamente de dois tipos:
·         adaptações de métodos consagrados em áreas de conhecimento específico para utilização na avaliação de impacto ambiental; e
  • métodos diretamente desenvolvidos para atender o dispositivo legal que orienta a realização de estudos de impacto ambiental, que corresponde, no Brasil, à Resolução CONAMA 001/86.
Uma questão central está na unidade de medida a ser utilizada para mensurar aspectos tão diversos quanto os ambientais, como por exemplo, a poluição do ar, os efeitos sobre a saúde ou os impactos sobre uma determinada estrutura social ou cultural. Em linhas gerais, o primeiro grupo de técnicas busca uma mensuração destes aspectos em termos monetários, enquanto o segundo procura aplicar escalas valorativas aos diferentes impactos, medidos originalmente em suas respectivas unidades físicas. Os métodos pertencentes a este segundo conjunto são genericamente denominados de quantitativos.

Assim, as técnicas são instrumentos de apoio à realização de estudos de impacto ambiental, cuja utilização deve estar sempre inserida no corpo do método adotado no estudo. Podem ser aplicadas para: ordenar (p.ex., checklists); agregar (p.ex., matrizes, diagramas); quantificar (p.ex., modelos de simulação, análise multi-critérios); representar graficamente (p.ex., overlays, matrizes, diagramas) informações geradas nos estudos. Essas técnicas são importantes para tornar transparentes as informações utilizadas e para facilitar a compreensão dos procedimentos utilizados nos estudos. A representação gráfica, em especial, tem importância fundamental para o RIMA, por se tratar de documento necessariamente de fácil compreensão pelo público.

A incorporação do conhecimento técnico-científico à avaliação de impacto ambiental exige a utilização de técnicas e modelos específicos de análise da vulnerabilidade/sensibilidade de cada fator natural (solo/subsolo, clima/atmosfera, águas superficiais, águas subterrâneas, biótopo, etc.) e do potencial de danos representado por cada atividade humana.

Os métodos quantitativos são classificados em duas categorias:
  • Métodos preponderantemente centrados na identificação e caracterização dos impactos. São os mais comumente empregados;
  • Métodos que incorporam complexas bases de cálculo e permitem valorizar impactos mais difusos. Por exigirem uma base de dados mais completa, mais tempo e mais recursos financeiros para a sua elaboração, só são utilizados em casos específicos.
Na primeira categoria encontram-se os métodos tipo Listagem de Controle (Check-Lists), as Matrizes de Interação, os Diagramas de Sistemas, os Métodos Cartográficos, as Redes de Interação e os Métodos Ad Hoc;

Na segunda categoria encontram-se os métodos como o de Battelle e Análise Multicritério, que explicitam as bases de cálculo, e a Folha de Balanço e a Matriz de Realização de Objetivos, que desagregam a avaliação segundo a ótica de diferentes grupos (Magrini, 1990). Nas próximas postagens técnicas abordaremos as características mais importantes de alguns desses métodos.

6 de maio de 2010

O DIAGNÓSTICO AMBIENTAL


Por Leonam Souza
Engenheiro Agrônomo 
Disponível em:  http://leonamsouza.blogspot.com/

Elaborar um diagnóstico ambiental é interpretar a situação problemática dessa área a partir da interação e da dinâmica de seus componentes, quer relacionado aos elementos físicos e biológicos, quer aos fatores sócio-culturais. A caracterização da situação ou da qualidade ambiental pode ser realizada com objetivos diferentes. Um deles, sob a ótica do planejamento, é servir de base para o conhecimento e o exame da situação ambiental, visando a traçar linhas de ação ou tomar decisões para prevenir, controlar e corrigir os problemas existentes. Nesse sentido, a legislação de muitos países determina a realização periódica desse tipo de diagnóstico, em âmbito nacional, às vezes incluindo, além da situação ambiental, uma avaliação do resultado da política ambiental ou dos programas de gestão que têm sido implementados.

Vários países reconheceram a importância da elaboração dos diagnósticos ambientais nacionais e determinaram por lei sua realização (Japão, Suécia, Israel, Espanha, Itália, Alemanha, Venezuela etc.). A entidade de proteção ambiental da Suécia foi quem primeiro começou essa prática, em 1969. No Brasil, a SEMA patrocinou a execução do primeiro Relatório de Qualidade do Meio Ambiente (RQMA), publicado em 1984. O Decreto no 88.351, de 01.06.83, assim como os decretos que o modificaram a partir de então, estabelece em seu artigo 16 a competência do IBAMA para, com base em informação fornecida pelos Órgãos Setoriais do SISNAMA, preparar anualmente um relatório sobre a situação do meio ambiente no País, incluindo os planos de ação e programas em execução, a ser publicado e submetido à consideração do CONAMA, em sua segunda reunião do ano subseqüente.

Outro uso e significado da expressão diagnóstico ambiental que se tem disseminado no Brasil é o referente a uma das tarefas ou etapas iniciais dos estudos de impacto ambiental (EIA) que consiste na descrição da situação de qualidade da área de influência da ação ou projeto cujos impactos se pretende avaliar. A legislação brasileira oficializou a expressão "diagnóstico ambiental da área" para designar esses estudos, no item correspondente ao conteúdo mínimo do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (§ 1o, art. 18, Decreto 88.351/83).
O sucesso de um projeto também depende do correto diagnóstico da qualidade dos compartimentos ambientais. Isto só acontece quando a qualidade técnica é assegurada em todas as etapas do processo. Em especial, as investigações de solos e águas têm importância decisiva sobre as conclusões do diagnóstico ambiental de uma área, que corresponde ao ponto de partida para os projetos de engenharia e para a implantação de obras de recuperação. O Diagnóstico ambiental consiste na elaboração de uma descrição e análise dos recursos naturais e antrópicos em suas diferentes interações. Portanto, este diagnóstico deverá caracterizar:

(a) o meio físico: solo, subsolo, as águas, ar, clima, recursos minerais, topografia e regime hidrológico;

(b) o meio biológico: fauna e flora;

(c) o meio sócio econômico: uso e ocupação do solo; uso da água; estruturação sócio econômica da população; sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais; organização da comunidade local; e o potencial de uso dos recursos naturais e ambientais da região.

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.

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