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9 de novembro de 2011

Você sabia que seu lixo mostra quem você é?


Lendo e refletindo sobre um artigo da Bióloga e Gestora Ambiental Érica Sena, verifiquei o quanto ainda temos que avançar, mas as medidas vão além da educação e da conscientização da sociedade, ela tem também aspectos políticos.

Um das grandes preocupações ambientais da atualidade é o que fazer com o lixo urbano, principalmente o residencial e o comercial.
Depois de termos algumas gerações vivendo um período de consumismo desenfreado - sem a plena consciência ambiental, as novas gerações devem ser preparadas para evitarem o desperdício e viverem de forma mais sustentável; as escolas terão um papel primordial, mas para isso é necessário se renovar e inovar.

A “educação” e a “conscientização”, são os principais ingredientes para a resolução do problema da “cultura do lixo urbano”. Em países desenvolvidos, o descarte do lixo já é feito em locais designado para esse fim; a coleta em na porta de casa é um luxo que muitos países ricos não se dão.

Em vários países da Europa, o sistema de “coleta” de lixo acontece com a conscientização, você leva seu lixo devidamente separado e o descarta em locais próprios que tenham infra estrutura para separação dos materiais, em depósitos ou containers específicos.

Esse modelo poderia ser adotado no Brasil, as cooperativas seriam o local para o descarte do “lixo urbano”, as prefeituras ficariam encarregadas da coleta do material não aproveitável e do pagamento das Cooperativas e os materiais recicláveis virariam complemento de renda dos cooperados, assim os garis teriam a função da conservação do Patrimônio Público.
Se nós refletíssemos o que fazer com o lixo, teríamos uma sociedade mais consciente, a separação do lixo é essencial para o funcionamento correto das cidades de hoje.
Só temos uma certeza, o futuro dependerá das medidas do presente, do agora!!!! 



Você sabia que seu lixo mostra quem você é?

Por Érica Sena
Bióloga, Gestora Ambiental, Educadora

Como assim? 
Bem, eu te explico caro leitor, mas antes te faço outras perguntas: “o que é lixo para você?”,“ de onde ele vem ?”, ‘ para onde ele vai?”. Lá estou eu te enchendo de perguntas estranhas, não é?”.

Foram estas mesmas perguntas que fiz aos meus alunos do EJA e para surpresa descobri que coisas que pareciam óbvias para mim, não eram para eles.  Assim, percebi que falta informação e  sensibilização de todos.  Só respeitamos e cuidamos daquilo que conhecemos e gostamos, não é mesmo? . Por isso resolvi tentar novas vias de acesso a essa sociedade carente de informação e massacrada pela mídia. Será que conseguirei? Espero que algumas sementes germinem dentro de alguns de vocês. E que vocês semeiem também.

Voltando ao foco principal,  lixo é todo resíduo vindo das atividades humanas, que são descartados na maioria das vezes, sem haver preocupação se teria outra serventia, para onde iria e se sua disposição era correta. Ainda bem que esse conceito está sendo mudado e cada vez mais cresce esta preocupação em separar materiais que possam ser reutilizados e reciclados, diminuindo assim a quantidade de lixo jogado nos aterros.

Quem nunca viu alguém jogando das janelas de carros, ônibus, ou mesmo a pé, lixo no chão? Infelizmente são cenas corriqueiras em nossa cidade. Será que estas pessoas têm noção da conseqüência de seus atos, como enchentes, proliferação de animais e doenças, mau cheiro, sujeira, talvez não.

 O aumento do consumo favorecido pelo capitalismo levou ao acúmulo de lixo e a gerou toda uma problemática ambiental atual. Através da análise de seu lixo podemos ver a que classe social pertence, suas marcas prediletas, sua alimentação e sua falta de preocupação com o meio ambiente. Por isso, acrescente a sua vida os 5 Rs do lixo:

Repense no que deve consumir, se agride ou não o meio ambiente ,se tem trabalhos socioambientais, se não trata de mais supérfluos em sua casa.

Reduza o seu consumo..compre apenas o necessário.

Recuse produtos que não sejam ambientalmente corretos, além de embalagens como as sacolinhas de plástico.

Reutilize embalagens, produtos que ainda sirvam para artesanatos, ou mesmo doe para outras pessoas, ONGs.

Recicle, ou melhor, faça a coleta seletiva e permita que indústrias reciclem. Nós confundimos os termos reciclagem com reutilização. Mas isso  deixaremos para  depois.

O Lixo

Texto de Luis Fernando Veríssimo

Encontram-se na área de serviço.
Cada um com seu pacote de lixo.
É a primeira vez que se falam.
- Bom dia…
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
- Pois é…
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah…
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena…
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
- Entendo.
- A senhora também…
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim…
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra…
- A senhora… Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é…
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo…
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos…
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler…
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
- Ontem, no seu lixo…
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode…
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?




13 de junho de 2011

Passivos Ambientais Urbanos


  
Foto disponível em: http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?CodArtigo=3287  

Por Leonam Souza
Engenheiro Agrônomo
  
A poluição das águas e a destruição e ocupação das áreas marginais de preservação dos rios na Região Metropolitana de São Paulo - RMSP podem ser considerados como inconvenientes passivos ambientais. Neste caso estão as áreas de construções irregulares que formam o Jardim Pantanal, nas várzeas do Tietê.
Em novembro de 2004 no estado de São Paulo existiam 1.336 locais que apresentavam níveis inaceitáveis de contaminação do solo e águas subterrâneas e que necessitavam de remediação para permitir a volta desses recursos a uma condição de uso seguro. 
 É possível que a origem das áreas contaminadas em toda região de São Paulo, possa estar relacionada ao desconhecimento, em épocas passadas, de procedimentos seguros para o manejo de substâncias perigosas. Em maio de 2002, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB divulgou pela primeira vez a lista de áreas contaminadas, registrando a existência de 255 áreas em São Paulo. 
O levantamento é freqüentemente atualizado e em novembro de 2009, foram totalizados nada menos que 2.904 registros no Cadastro de Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo, sendo 528 só na RMSP.
Por outro lado, a desativação de indústrias e o abandono de áreas potencialmente contaminadas criam passivos ambientais e dentro da RMSP, o município de São Bernardo do Campo, destaca-se pela grande industrialização observada até o final da década de 1980 e pela desindustrialização que gerou uma significativa quantidade desses passivos. Pneus inservíveis abandonados em qualquer local representam áreas de riscos para a população, servindo de locais para desenvolvimento de vetores de doenças como a dengue, além de liberar substância oleosa que polui o solo e o lençol freático.
Nas ruas de São Paulo cada vez mais entulhos são gerados pelas construções, demolições e reformas e isso se agrava na periferia, onde empresas clandestinas, caçambas e carroceiros despejam todo esse material em terrenos baldios, na margem dos rios e outros locais de pouca circulação.
Também existem passivos ambientais que estão sob monitoramento como é o caso do depósito de material radioativo das Indústrias Nucleares do Brasil - INB, uma empresa vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEM, e subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mas isso não impede que as áreas contíguas ao depósito estejam sendo utilizadas, fato que representa serio risco a população. Não podemos deixar repetir os tristes acontecimentos de Goiânia onde o desleixo das autoridades permitiu que uma cápsula de Césio-137 fosse acessada e aberta por pessoas pobres, inocentes e desassistidas.

Artigo publicado na coluna AMBIENTE EM TRANSE do Jornal da Cidade Online - http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=3287

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte - http://leonamsouza.blogspot.com/.
Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.
 

A Ação internacional no controle do desmatamento


 
http://blogs.jovempan.uol.com.br/meioambiente/wp-content/files/2010/07/desmatamento-e-queimada.jpg


Por Leonam Souza

Engenheiro Agrônomo


O Sistema de Alerta de Desmatamento – SAD que é operado pela organização não governamental Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia - IMAZON, em dezembro de 2010 havia detectado 175 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, o que significou um aumento de 994% em relação a dezembro de 2009. Já em janeiro de 2011 foi registrado 83 quilômetros quadrados de desmatamento, ou seja, um aumento de 22% em relação a janeiro de 2010, ano em que as florestas degradadas na Amazônia Legal Brasileira somaram 541 quilômetros quadrados. Frente a esses números o governo do Brasil anuncia que não concorda com a redução de Áreas de Preservação Permanente – APPs e que vetará trechos do projeto que altera o Código Florestal se o Congresso aprovar a anistia para desmatadores.
Neste contexto, as nações que possuem em seu patrimônio natural parte do riquíssimo ecossistema florestal amazônico decidiram estabelecer critérios e indicadores para avaliar o manejo florestal sustentável (também conhecidos como indicadores de Tarapoto). Tais critérios foram formulados e aprovados no âmbito do Tratado de Cooperação Amazônica - TCA, assinado pela Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, em 1978. O objetivo é promover a cooperação regional para o desenvolvimento sustentável na região amazônica. No processo de elaboração dos critérios e indicadores, lançado em 1995 e concluído em 2001, foram feitas amplas consultas nacionais e regionais, resultando na seleção de 15 indicadores prioritários para avaliar a gestão florestal sustentável num grupo de 77 anteriormente identificados. Em 2004, a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica - OTCA, com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura - FAO realizou a validação dos indicadores prioritários selecionados para estudar a viabilidade de sua aprovação no processo de decisão.
O processo de validação dos indicadores estimulou uma reflexão sobre a questão da informação de gestão florestal e indicou o monitoramento da cobertura florestal como um aspecto fundamental para trabalhar em nível regional, pela sua importância tanto como uma contribuição para os processos políticos nacionais em relação à região, como para embasar as discussões internacionais.
O monitoramento da cobertura florestal contribuirá diretamente para quantificar os seguintes indicadores: (a) tamanho das áreas por tipo de floresta; (b) a taxa de conversão de floresta; (c) a proporção de áreas de proteção ambiental em relação às áreas de produção permanente, e (d) contribuição para a conservação da diversidade biológica.
Entre 2005 e 2006, com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil - ABC/MRE, a Secretaria Permanente da OTCA - SP/OTCA implementou o projeto "Agenda Comum da Amazônia." Este projeto permitiu-nos avaliar a viabilidade da adoção de diversos modelos e sistemas utilizados para monitorar a cobertura florestal. Concluiu também que o sistema utilizado pelo Brasil oferece a melhor relação custo-benefício. A opção de utilizar software livre, imagens e metodologia de análise de vetores foram os principais determinantes dos resultados da avaliação e confirmou que o sistema desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE é mais adequado às necessidades de acompanhamento regional.
No entanto, a adoção de uma metodologia comum para monitoramento da cobertura florestal amazônica também requer uma atenção especial das instituições nacionais, uma vez que na maioria dos países envolvidos, existem laboratórios de sensoriamento remoto e instituições que trabalham neste setor. É por esta razão que a estratégia de implementação do projeto considera como ponto de partida o desenvolvimento de Planos Nacionais de Vigilância Florestal. Porém, não basta ter as ferramentas tecnológicas que permitam acompanhar o avanço do desmatamento em tempo real, é também necessário institucionalizar o uso de um indicador de desmatamento e de uso da terra no processo decisório. Assim, é preciso consolidar os sistemas nacionais de monitoramento da floresta em todos os países membros da OTCA, para que efetivamente possam contribuir na implementação de políticas nacionais de combate ao desmatamento e no desenvolvimento da região.
É de se esperar que a utilização de modernas técnicas de sensoriamento remoto resultem no aumento da governança na Amazônia e no uso racional dos recursos disponíveis, permitindo a intensificação da cooperação regional e o intercâmbio de estratégias de combate ao desmatamento e degradação ambiental. Por outro lado, acredita-se que os avanços tecnológicos também possam ajudar nos esforços para monitorar o desmatamento causado pela exploração seletiva de madeira.
Todos nós esperamos que este esforço conjunto dos países sul-americanos feito através do projeto de monitoramento do desmatamento e das mudanças no uso do solo da floresta amazônica, liderado pela OTCA, venha realmente estancar o crescimento do desmatamento que avança célere até sobre as áreas consideradas de preservação ambiental e legalmente protegidas.

Artigo publicado na coluna AMBIENTE EM TRANSE do Jornal da Cidade Online -  Disponível em  http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=3361

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte - http://leonamsouza.blogspot.com/.
Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.  

12 de janeiro de 2011

E quem será responsabilizado?

Imagem disponível em http://jornal.ofluminense.com.br/sites/default/files/imagecache/Portal_Destaque_Home/12-desabamento_friburgo_575.jpg

Por Jorge Paulino

Engenheiro Eletricista e de Produção

Republicação do artigo, escrito em 3 janeiro de 2010

Novamente o cenário principal do Estado do Rio de Janeiro é o da destruição, das perdas de vidas e de prejuízos econômicos e sociais.

Na simplicidade das palavras da empregada doméstica Fernanda Carvalho, a dimensão desta tragédia.

“Não foi possível escolher o que ia cair. Casa de rico, casa de pobre. Tudo foi destruído”...

As tragédias anteriores não serviram de aprendizagem para os nossos governantes...

No rastro da destruição virão novas promessas, novos choros para mídia e mais nada...

Continuaremos reféns de políticos demagogos e incompetentes, Angra dos Reis que não se recuperou totalmente e São Gonçalo viraram passado, hoje a Região Serrana é a vitrine para aparições e promessas dos milhões que só são promessas e o amanhã?....

Angra, Ilha Grande, São Gonçalo, Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo; precisamos repensar o modelo de crescimento urbano e da ocupação do solo, as tragédias são sempre anunciadas!

Os nossos governantes tem que agir na causa e não depois do ocorrido!

Abaixo na integra os artigos “E quem será responsabilizado?” e “O Ciclo das Águas”

Passado a comoção das tragédias, se faz necessário a reflexão do que causou essas calamidades.

Inundações, deslizamentos de terra e desabamentos de residências, são conseqüências do aquecimento do planeta? Ou esses desastres foram ocasionados pela ocupação e intervenção do homem no ecossistema? Ou o desconhecimento do histórico de fenômenos naturais na área?

Sim, todas as preposições estão corretas.

Mas o que aconteceu no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis?

A alta pluviosidade foi um dos principais condicionadores dos movimentos do solo, nas zonas morfológica e geologicamente susceptíveis a estes fenômenos, os movimentos não ocorreram somente diante dos excepcionalismos pluviométricos.

O desgaste das rochas pela ação do sol, dos ventos e das chuvas, ocasionou a erosão criando uma camada espessa (entre a superfície e a rocha dura), extremamente permeável.

Quando chove muito, a água ocupa toda essa camada que encharcado e pesado tornam os deslizamentos inevitáveis, mas é relativamente possível calcular os riscos e impedir construções e a permanência humana em algumas zonas mais críticas.

Em meu artigo “O ciclo das águas“, publicado em Agosto de 2009, eu tracei um paralelo entre as forças da natureza e a intervenção do homem no Ecossistema.

Precisamos repensar na ocupação desordenada do solo urbano, nos projetos de arquitetura, nos novos empreendimentos e principalmente nas características de cimentização e verticalização das cidades.

O que o homem toma da natureza, será cobrado mais tarde, e com o sacrifício de vidas.

As conivências dos nossos governantes com o poder econômico e com o poder político sempre acarretam tragédias.

Mas quem será responsabilizado?

Certamente responsabilizarão a fúria da natureza!

Reproduzo agora o Comentário do Engenheiro Civil, Wanderson T. de Souza

Caro colega, Eng. Jorge Paulino as tragédias ocorridas eram previsíveis, tanto em Angra quanto no Rio de Janeiro.

Perfeito as indagações do texto.

Sim, existem históricos de acontecimentos nas regiões e a intervenção danosa do homem no ecossistema.

Como Engenheiro Civil, posso afirmar que suas considerações quanto aos deslizamentos e desabamentos das residências estão corretas.

Aqui em São Paulo as constantes inundações fazem parte de uma rotina quase que diária.

É de impressionar?

Não, é previsivel.

É exatamente o descrito em seu artigo "O Ciclo das Águas", o crescimento desordenado dos Centros Urbanos, a cimentização tornando a cidade mais impermeável e a verticalização mudando o micro clima da região.

Medidas urgentes precisam ser tomadas tais como:

1-novos formatos de projetos de Prédios e Edificações com captação das aguas Pluviais;

2- a criação de mais áreas verdes e com permeabilidade;

3- a desocupação das áreas de inundação nas margens dos rios e o estudo de vazão dos rios para a definição das suas calhas;

4- a criação de cinturões verdes nas encostas.

Espero que tenhamos um 2010, iluminado e menos trágico, precisamos lembrar o grande Tom Jobim e a sua melodia "Águas de Março fechando o verão"

Eng. Wanderson T. de Souza

Republicação do artigo, escrito para o blog GamaCoopera em agosto de 2009, e também publicado no site Artigonal,

Disponível também em http://gamacooperarecicla.blogspot.com/

O Ciclo das Águas

O modelo atual de crescimento urbano, é o exemplo em que as mudanças radicais impostas pelas atividades humanas, produzem condições atmosféricas diferentes das encontradas em algumas décadas atrás.

As metrópoles criaram um processo de cimentização da paisagem, com ocupação e especulação desenfreada que destruiu as áreas destinadas ao alagamento.

A desordem urbana determinou o fim das margens dos cursos d’água, das matas ciliares, dos rios, modificando todo o ecossistema da região.

As enchentes, sempre fizeram parte de um ciclo natural, o “ciclo das águas e da vida”, e nós precisamos rever essa relação Homem/Natureza.

A natureza deve ser respeitada, não devemos tentar exercer sobre ela um domínio supremo.

Rios caudalosos e com grande volume de água, tem seu percurso em formato curvilíneo como uma serpente se deslocando nas planícies.

O formato evita o aumento da velocidade das águas em épocas das chuvas.

Porque retificá-lo?

As áreas cobertas de asfalto e cimento tornam o solo totalmente impermeável, impossibilitando a absorção da água da chuva pela terra, fazendo a água correr mais rápidas, atingindo a cidade rapidamente, afinal não podemos reduzir o volume de chuvas.

Precisamos sim, despertar a consciência nas crianças e nos jovens da importância do descarte correto do lixo, não devemos jogá-lo nos rios – pois além de poluí-los, causaremos o assoreamento e acumulo nas bordas- deixando-os mais rasos e estreitos, e possivelmente causando, transbordamento nas cheias.

Precisamos sim, cobrar do poder público, planos e projetos embasados em uma visão de ocupação e uso sustentável do solo, respeitando os processos ecológicos naturais.

Não existem mágicas para evitar os transbordamentos dos rios e os alagamentos das vias públicas, mas algumas mudanças nas estruturas dos grandes centros urbanos podem minimizar o efeito do excesso de água.

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.

19 de maio de 2010

Impactos Ambientais - Introdução aos métodos de avaliação

(Foto: lixo acumulado na barragem de Pedreira, rio Pinheiros - São Paulo. Leonam, 2010)

Por Leonam Souza
Engenheiro Agrônomo 

Técnicas ou métodos de avaliação de impactos ambientais são instrumentos que visam identificar, avaliar e sintetizar os impactos de um determinado projeto, programa ou empreendimento. A aplicação destes métodos, entretanto, mostra-se limitada pela própria dificuldade de prever a evolução de sistemas tão complexos quanto os ecossistemas. Estas limitações tornam-se ainda mais evidentes quando tratamos com impactos sociais, onde tanto a identificação como a predição e a avaliação da dinâmica social desencadeada por uma ação ou projeto estão sujeitas a aspectos de caráter econômico, cultural e psicológico, de apreensão bastante complexa. Os métodos que vêm sendo aplicados são basicamente de dois tipos:
·         adaptações de métodos consagrados em áreas de conhecimento específico para utilização na avaliação de impacto ambiental; e
  • métodos diretamente desenvolvidos para atender o dispositivo legal que orienta a realização de estudos de impacto ambiental, que corresponde, no Brasil, à Resolução CONAMA 001/86.
Uma questão central está na unidade de medida a ser utilizada para mensurar aspectos tão diversos quanto os ambientais, como por exemplo, a poluição do ar, os efeitos sobre a saúde ou os impactos sobre uma determinada estrutura social ou cultural. Em linhas gerais, o primeiro grupo de técnicas busca uma mensuração destes aspectos em termos monetários, enquanto o segundo procura aplicar escalas valorativas aos diferentes impactos, medidos originalmente em suas respectivas unidades físicas. Os métodos pertencentes a este segundo conjunto são genericamente denominados de quantitativos.

Assim, as técnicas são instrumentos de apoio à realização de estudos de impacto ambiental, cuja utilização deve estar sempre inserida no corpo do método adotado no estudo. Podem ser aplicadas para: ordenar (p.ex., checklists); agregar (p.ex., matrizes, diagramas); quantificar (p.ex., modelos de simulação, análise multi-critérios); representar graficamente (p.ex., overlays, matrizes, diagramas) informações geradas nos estudos. Essas técnicas são importantes para tornar transparentes as informações utilizadas e para facilitar a compreensão dos procedimentos utilizados nos estudos. A representação gráfica, em especial, tem importância fundamental para o RIMA, por se tratar de documento necessariamente de fácil compreensão pelo público.

A incorporação do conhecimento técnico-científico à avaliação de impacto ambiental exige a utilização de técnicas e modelos específicos de análise da vulnerabilidade/sensibilidade de cada fator natural (solo/subsolo, clima/atmosfera, águas superficiais, águas subterrâneas, biótopo, etc.) e do potencial de danos representado por cada atividade humana.

Os métodos quantitativos são classificados em duas categorias:
  • Métodos preponderantemente centrados na identificação e caracterização dos impactos. São os mais comumente empregados;
  • Métodos que incorporam complexas bases de cálculo e permitem valorizar impactos mais difusos. Por exigirem uma base de dados mais completa, mais tempo e mais recursos financeiros para a sua elaboração, só são utilizados em casos específicos.
Na primeira categoria encontram-se os métodos tipo Listagem de Controle (Check-Lists), as Matrizes de Interação, os Diagramas de Sistemas, os Métodos Cartográficos, as Redes de Interação e os Métodos Ad Hoc;

Na segunda categoria encontram-se os métodos como o de Battelle e Análise Multicritério, que explicitam as bases de cálculo, e a Folha de Balanço e a Matriz de Realização de Objetivos, que desagregam a avaliação segundo a ótica de diferentes grupos (Magrini, 1990). Nas próximas postagens técnicas abordaremos as características mais importantes de alguns desses métodos.

3 de janeiro de 2010

E quem será responsabilizado?

Por Jorge Paulino

Engenheiro Eletricista

Passado a comoção das tragédias, se faz necessário a reflexão do que causou essas calamidades.

Inundações, deslizamentos de terra e desabamentos de residências, são conseqüências do aquecimento do planeta? Ou esses desastres foram ocasionados pela ocupação e intervenção do homem no ecossistema? Ou o desconhecimento do histórico de fenômenos naturais na área?

Sim, todas as preposições estão corretas.

Mas o que aconteceu no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis?

A alta pluviosidade foi um dos principais condicionadores dos movimentos do solo, nas zonas morfológica e geologicamente susceptíveis a estes fenômenos, os movimentos não ocorreram somente diante dos excepcionalismos pluviométricos.

O desgaste das rochas pela ação do sol, dos ventos e das chuvas, ocasionou a erosão criando uma camada espessa (entre a superfície e a rocha dura), extremamente permeável.

Quando chove muito, a água ocupa toda essa camada que encharcado e pesado tornam os deslizamentos inevitáveis, mas é relativamente possível calcular os riscos e impedir construções e a permanência humana em algumas zonas mais críticas.

Em meu artigo “O ciclo das águas“, publicado em Agosto de 2009, eu tracei um paralelo entre as forças da natureza e a intervenção do homem no Ecossistema.

Precisamos repensar na ocupação desordenada do solo urbano, nos projetos de arquitetura, nos novos empreendimentos e principalmente nas características de cimentização e verticalização das cidades.

O que o homem toma da natureza, será cobrado mais tarde, e com o sacrifício de vidas.

As conivências dos nossos governantes com o poder econômico e com o poder político sempre acarretam tragédias.

Mas quem será responsabilizado?

Certamente responsabilizarão a fúria da natureza!

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.

Reproduzo agora o Comentário do Engenheiro Civil, Wanderson T. de Souza

Caro colega, Eng. Jorge Paulino as tragédias ocorridas eram previsíveis, tanto em Angra quanto no Rio de Janeiro. Perfeito as indagações do texto. Sim, existem históricos de acontecimentos nas regiões e a intervenção danosa do homem no ecossistema. Como Engenheiro Civil, posso afirmar que suas considerações quanto aos deslizamentos e desabamentos das residências estão corretas. Aqui em São Paulo as constantes inundações fazem parte de uma rotina quase que diária. É de impressionar? Não, é previsivel. É exatamente o descrito em seu artigo "O Ciclo das Águas", o crescimento desordenado dos Centros Urbanos, a cimentização tornando a cidade mais impermeável e a verticalização mudando o micro clima da região.

Medidas urgentes precisam ser tomadas tais como:

1-novos formatos de projetos de Prédios e Edificações com captação das aguas Pluviais; 2- a criação de mais áreas verdes e com permeabilidade; 3- a desocupação das áreas de inundação nas margens dos rios e o estudo de vazão dos rios para a definição das suas calhas; 4- a criação de cinturões verdes nas encostas. Espero que tenhamos um 2010, iluminado e menos trágico, precisamos lembrar o grande Tom Jobim e a sua melodia "Águas de Março fechando o verão" Eng. Wanderson T. de Souza

Republicação do artigo, escrito para o blog GamaCoopera em agosto de 2009, e também publicado no site Artigonal,

Disponivel também em http://gamacooperarecicla.blogspot.com/

O Ciclo das Águas

Por Jorge Paulino

Engenheiro Eletricista

O modelo atual de crescimento urbano, é o exemplo em que as mudanças radicais impostas pelas atividades humanas, produzem condições atmosféricas diferentes das encontradas em algumas décadas atrás.

As metrópoles criaram um processo de cimentização da paisagem, com ocupação e especulação desenfreada que destruiu as áreas destinadas ao alagamento.

A desordem urbana determinou o fim das margens dos cursos d’água, das matas ciliares, dos rios, modificando todo o ecossistema da região.

As enchentes, sempre fizeram parte de um ciclo natural, o “ciclo das águas e da vida”, e nós precisamos rever essa relação Homem/Natureza.

A natureza deve ser respeitada, não devemos tentar exercer sobre ela um domínio supremo.

Rios caudalosos e com grande volume de água, tem seu percurso em formato curvilíneo como uma serpente se deslocando nas planícies.

O formato evita o aumento da velocidade das águas em épocas das chuvas.

Porque retifica-lo?

As áreas cobertas de asfalto e cimento tornam o solo totalmente impermeável, impossibilitando a absorção da água da chuva pela terra, fazendo a água correr mais rápidas, atingindo a cidade rapidamente, afinal não podemos reduzir o volume de chuvas.

Precisamos sim, despertar a consciência nas crianças e nos jovens da importância do descarte correto do lixo, não devemos jogá-lo nos rios – pois além de poluí-los, causaremos o assoreamento e acumulo nas bordas- deixando-os mais rasos e estreitos, e possivelmente causando, transbordamento nas cheias.

Precisamos sim, cobrar do poder público, planos e projetos embasados em uma visão de ocupação e uso sustentável do solo, respeitando os processos ecológicos naturais.

Não existem mágicas para evitar os transbordamentos dos rios e os alagamentos das vias públicas, mas algumas mudanças nas estruturas dos grandes centros urbanos podem minimizar o efeito do excesso de água.

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.

3 de dezembro de 2009

A Sopa de Letrinhas

Graficos disponíveis no site da ANEEL

Por Jorge Paulino

Engenheiro Eletricista

O Leitor Marlon Silva, encaminhou um e-mail, perguntando qual o significado de DEC, FEC, DIC, DMIC e FIC; que hoje estão nas manchetes de jornais, nas rádios e na TV. Ele constata que certos termos estão sendo publicados como se a população soubesse os seus significados, e crê que está existindo um apagão no bom senso da nossa imprensa.

Gostei do conteúdo do email Marlon, e você diz com propriedade que existem termos técnicos difícil compreensão e parte da nossa imprensa sofre também com um apagão- o apagão do bom senso.

Vamos lá Marlon, geralmente a mídia coloca as palavras dos especialistas convidados, e esses comentários são técnicos e eles utilizam uma linguagem não tão popular.

Mas Caro Leitor, espero poder esclarecer as suas dúvidas.

O desempenho das Concessionárias de Energia é medido pela ANEEL, usando como base indicadores específicos quanto à continuidade do serviço prestado de energia elétrica, são indicadores da qualidade da prestação de serviço, sendo um conceito da gestão da concessionária, voltado para a análise científica de sua estrutura funcional.

As metas ou padrões dos indicadores de continuidade estão estabelecidos em resolução específica da ANEEL, e são para cada conjunto de unidades consumidoras das concessionárias de distribuição de energia elétrica.

DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) indica o número de horas em média que um consumidor fica sem energia elétrica durante um período, geralmente mensal.

FEC (Freqüência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) indica quantas vezes, em média, houve interrupção na unidade consumidora (residência, comércio, indústria etc)

DIC (Duração de Interrupção Individual por Unidade Consumidora) indica o intervalo de tempo que, no período de observação, em cada unidade consumidora, ocorreu descontinuidade da distribuição de energia Elétrica.

FIC (Freqüência de Interrupção Individual por Unidade Consumidora) é o número de interrupções ocorridas, no período de observação, em cada unidade consumidora.

DMIC (Duração Máxima de Interrupção por Unidade Consumidora) é um indicador que limita o tempo máximo de cada interrupção, impedindo que a concessionária deixe o consumidor sem energia elétrica durante um período muito longo.

A disponibilidade da energia elétrica representa um incremento na qualidade de vida das regiões e das populações, toda qualquer interrupção ou falha no fornecimento trará transtornos de toda ordem, daí a importância desses indicadores.

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11 de maio de 2009

A Administração da Produção Parte 6 _ Higiene e Segurança do Trabalho

Continuação do texto de Guilherme Arruda O QUE É HIGIENE INDUSTRIAL Higiene do Trabalho é o conjunto de normas e procedimentos para a proteção da integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerentes ao cargo e ao ambiente, através do diagnóstico e prevenção de doenças ocupacionais que podem causar ausência provisória ou definitiva do trabalho, envolvendo: 1. Plano: Médicos e enfermeiros; 2. Serviços médicos: exames médicos de admissão, cuidados com as injúrias pessoais provocadas por moléstias profissionais, primeiros socorros, eliminação e controle de áreas insalubres, registros médicos, supervisão de higiene e saúde, relações de cooperação com as famílias dos empregados doentes, utilização de bons hospitais e exames médicos periódicos de revisão; 3. Serviços adicionais: programas informativos, convênios com entidades locais para radiografia, recreação, leitura, filmes, etc, verificações interdepartamentais, sobre mudanças de trabalho, de ambiente ou de horário, planos de seguro de vida em grupo para afastamentos por acidente ou doença e planos de aposentadoria e pensão. A Higiene do Trabalho está relacionada com as condições ambientais de trabalho que asseguram a saúde física e mental e com as condições de bem-estar das pessoas. ÁREA DE AÇÃO DA HIGIENE INDUSTRIAL Do ponto de vista de saúde física, o local de trabalho constitui a área de ação da higiene do trabalho, envolvendo aspectos ligados à exposição do organismo humano a agentes externos, como ruído, ar, temperatura, umidade, luminosidade e equipamentos de trabalho. Assim, um ambiente saudável de trabalho deve envolver condições ambientais físicas que atuem positivamente sobre todos os órgãos dos sentidos humanos, como visão, audição, tato, olfato, e paladar. Do ponto de vista de saúde mental, o ambiente de trabalho deve envolver condições psicológicas e sociológicas saudáveis e que atuem positivamente sobre o comportamento das pessoas, evitando impactos emocionais ,como o estresse. OBJETIVOS DA HIGIENE INDUSTRIAL (objetivo maior: "prevenção") • Eliminação das causas das doenças profissionais; • Redução dos efeitos prejudiciais do trabalho; • Prevenção do agravamento de doenças; • Manutenção da saúde dos trabalhadores e aumento da produtividade, através do controle do ambiente. MEIOS DA HIGIENE INDUSTRIAL • Educação dos chefes e empregados, indicando os perigos e ensinando como evitá-los; • Manutenção de constante estado de alerta contra riscos; • Estudos e observações dos novos processos e materiais a serem utilizados. CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO 1. Iluminação: a luz suficiente, constante e uniformemente distribuída (direta, indireta, semi-indireta ou semi-direta) no ponto focal do trabalho, de acordo com o tipo de tarefa visual, a fim de evitar ofuscamento ou resplandecência que tragam fadiga à vista, prejudicando o sistema nervoso, concorrendo com a má qualidade do trabalho e acidentes; 2. Ruído: a eliminação ou redução (através da separação = isolamento, ou encerramento da fonte de ruído e tratamento acústico de tetos, paredes e pisos) da intensidade, variação dos ritmos e frequência (tom) do som indesejável que provoca perda de audição; 3. Condições atmosféricas: controle da temperatura, humidade, ventilação, composição do ar, pressão barométrica e condições tóxicas presentes no trabalho. PROGRAMA DE HIGIENE INDUSTRIAL Os principais itens do programa de higiene do trabalho estão relacionados com: a) Ambiente físico de trabalho: iluminação, ventilação, temperatura, ruídos; b) Ambiente Psicológico de trabalho: relacionamentos humanos agradáveis, tipo de atividade agradável e motivadora, estilo de gerência democrático e participativo, Eliminação de possíveis fontes de estresse; c) Aplicação de Princípios de ergonomia, envolvendo: máquinas e equipamentos adequados às características humanas, mesas e instalações ajustadas ao tamanho das pessoas, ferramentas que reduzam a necessidade de esforço físico humano; d) Saúde Ocupacional: estabelecimento de um sistema de indicadores, abrangendo estatísticas de afastamentos e acompanhamento de doenças; desenvolvimento de sistemas de relatórios médicos; desenvolvimento de regras e procedimentos para prevenção médica; e recompensas aos gerentes e supervisores pela administração eficaz da função de saúde ocupacional. AVALIAÇÃO CRÍTICA DA HIGIENE INDUSTRIAL Principais problemas de saúde nas organizações: 1. Automedicação sem cuidados médicos adequados; 2. Vida sedentária, sem contatos sociais e sem exercícios físicos; 3. Hábitos alimentares inadequados (obesidade ou perda de peso); 4. Estresse no trabalho; 5. Exposição a produtos químicos perigosos, como ácidos, asbestos ,etc; 6. Exposição a condições ambientais frias, quentes, contaminadas, secas, úmidas, barulhentas, pouco iluminadas, etc; 7. Alcoolismo e dependência química de drogas, medicamentos, fumo ,etc; 8. AIDS: é a síndrome de deficiência imunológica adquirida que ataca o sistema que protege o organismo de doenças. O QUE É SEGURANÇA (SERVIÇO DE SEGURANÇA) É o conjunto de medidas (técnicas, educacionais, médicas e psicológicas) para prevenir acidentes, através da eliminação das condições inseguras do ambiente e da educação de práticas preventivas. RESPONSABILIDADE DA SEGURANÇA Cada chefe é responsável (responsabilidade de linha) pela segurança em sua área, embora exista um órgão de segurança para lhe assessorar (função de staff) *Obs: A CIPA é uma exigência legal da CLT, que fiscaliza atos e condições inseguros, enquanto a segurança de trabalho aponta as soluções ÁREAS DE ATIVIDADE DA SEGURANÇA DO TRABALHO 1. Prevenção de acidentes : minimização dos atos imprevistos (embora geralmente evitável, através da identificação e remoção das causas) decorrentes do trabalhos (com ou sem afastamento), que provocam (direta ou indiretamente) lesão corporal, perturbação funcional ou doença, com morte, perda parcial ou total, permanente ou temporária de capacidade para o trabalho, causados pelo: • Agente: a máquina, o local ou o equipamento - prensa, martelo, banheira, etc; • Parte do agente: o pé da mesa, o cabo do martelo, o piso da banheira, etc; • Condição insegura: piso escorregadio, partes móveis desprotegidas, fios desencapados, ausência de fio-terra, iluminação inadequada, etc; • Tipo do acidente: batida, escorregão, etc; • Ato inseguro: violação dos procedimentos de segurança; • Fator pessoal de insegurança: problemas na visão, psicológicos, contaminação, no lar, desconhecimento das normais, etc. 2. Prevenção de roubos (serviço de vigilância): controle de entrada e saída de pessoal e veículos, estacionamento fora da empresa (para evitar transporte clandestino de peças), ronda pelos terrenos e interior da fábrica , registro de máquinas, equipamentos e ferramentas e controles contábeis (aferidos periodicamente por empresas externas de auditoria); 3. Prevenção de incêndios: extintores adequados, dimensionamento do reservatório d´água, sistema de detecção, alarme e treinamento de pessoal, contra reação química de oxidação exotérmica (que provoca calor), através da neutralização do: • Combustível (sólido líquido ou gasoso): remoção ou isolamento; • Comburente: abafamento do oxigênio; ou • Catalisador: resfriamento da temperatura. RESPEITO E VALORIZAÇÃO À VIDA Quando trabalhamos com segurança estamos tanto valorizando nosso trabalho quando a nós mesmo. A maioria dos acidentes envolve atos inseguros e condições inseguras, ambas resultantes de falhas humanas, quando ferramentas e equipamentos são usados indevidamente. Temos como exemplo os atos inseguros que se tornam causas de acidentes. Um dos métodos para a prevenção de atos inseguros é o treinamento dos funcionários para uso adequado de equipamentos e ferramentas. Semelhante ao modo de eliminar condições inseguras é o treinamento de supervisores para o estabelecimento e manutenção de condições seguras de trabalho. a) Exemplos De Condições De Trabalho Inseguras • Máquinas com dispositivos de segurança defeituosos ou sem instalação dos mesmos; • Ferramentas defeituosas; • Iluminação inadequada (muita luz ou pouca luz); • Falta de EPI; • EPI inadequado ao risco; • Agir sem o conhecimento ou treinamento necessário. b) Exemplos De Atos De Trabalho Inseguros • Executar operações sem o consentimento da supervisão; • Trabalhar sem que os dispositivos de segurança estejam instalados ou funcionando perfeitamente; • Distrair-se com brincadeiras quando estiver trabalhando em máquinas ou ferramentas; • Deixar de utilizar os equipamentos de proteção individual fornecidos; • Usar roupas largas. b) OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO Os Riscos Ambientais são todos aqueles agentes que podem fazer mal a nossa saúde se ficarmos expostos a eles sem que sejam tomadas medidas para seu controle ou eliminação. São exemplos bem conhecidos o ruído, os produtos químicos, partes móveis de máquinas, iluminação deficiente, dentre outros. Os riscos ambientais são classificados em grupos, de acordo com a sua natureza (preste atenção nas cores que representam os riscos, pois sabendo seu significado você pode entender melhor o Mapas de Riscos Ambientais): a) Riscos Físicos • Ruído: causa surdez, stress, pressão alta, etc; • Calor: pode causar insolação, cãimbras, desidratação; • Frio: principalmente em câmaras frigorificas, pode causar queimaduras, gripes, infecções respiratória e problemas circulatórios; • Vibrações: podem causar problemas renais, dores na coluna, e deficiências circulatórias nas articulações; • Radiações não ionizantes: são encontradas na fusão de metais à alta temperatura, soldas elétricas, fornos, podendo causar queimaduras e conjuntivites; • Radiações ionizantes: são muito perigosas e encontram-se em máquinas de Raios – X, radiografias industriais; podem causar anemias, câncer e leucemia. - Como prevenir • Ruído: verificando a origem do ruído e a possibilidade de reduzí-lo ou eliminá-lo. Não sendo possível de imediato, deve-se utilizar protetor auricular; • Calor: através de ventilação e exaustão adequadas; • Vibrações: buscar eliminar a fonte de vibração, e não sendo possível expor-se o mínimo de tempo possível; • Radiações não ionizantes: colocando-se proteções que tapem a fonte, utilizando óculos e protetores faciais com lente verde escura, que filtram as radiações; • Radiações ionizantes: proteções feitas de chumbo, tais como biombos, impedem a passagem dos raios. b) Riscos Químicos Os Riscos Químicos são causados por produtos sólidos, líquidos ou gasosos que em contato com nosso corpo causam algum dano a nossa saúde. Produtos de limpeza, solventes, óleos graxas, ácidos, sais e desengraxantes são apenas alguns exemplos. Podemos classificar os agentes químicos pela sua forma de penetração em nosso corpo: • Vias respiratória: gases, vapores, névoas, poeira, gotículas, fumos, poeiras e fumaças; que podem causar asma, bronquite, pneumoconiose, asfixia e redução da capacidade respiratória; • Através da pele: os produtos mais tóxicos penetram através dos poros, atingindo a corrente sangüínea. Elementos químicos tais como o chumbo, mercúrio e arsênico, podem causar doenças no fígado. Existem ainda aqueles produtos que podem causar lesões na pele (dermatites), tais como óleos, lubrificantes, solventes, graxas e desengraxantes; • Via digestiva: geralmente a intoxicação por via digestiva ocorre acidentalmente, ou até pelo hábito de roer as unhas, ou lixá-las com os dentes. - Como prevenir • Via respiratória: adoção de sistema de exaustão e ventilação adequadas, utilização de máscaras com filtro; • Através da pele: luvas impermeáveis ou luvas creme; • Via digestiva: não reutilizar recipientes de produtos químicos, ler atentamente rótulos de produtos, não roer unhas, evitar o contato das mãos com a boca. c) Riscos Biológicos São diversos tipos de microorganismos, tais como: bactérias, fungos, vírus, bacilos, parasitas e outros. Trazem um grande risco por poderem ser vistos somente com microscópio. Os riscos biológico estão presentes nos banheiros, em hospitais, ambulatórios que lidam com materiais contaminados por doentes, curativos, comidas preparadas sem higiene das mãos, ambientes com presença de insetos, ratos, baratas e transmissores de diversas doenças que podem levar a morte. Como prevenir Lavando sempre as mãos antes das refeições, no banheiro, na cozinha antes de preparar as refeições, utilizando luvas para fazer a limpeza e recolher o lixo de banheiros, ambulatórios, hospitais ou quaisquer lugar mais que possa haver lixo deste tipo. d) Riscos Ergonômicos A má postura, o levantamento de peso excessivos, a realização de movimentos repetitivos, que podem levar a problemas de colunas, lesões, inflamações crônicas em nervos e tendões, são exemplos de riscos ergonômicos. O ritmo excessivo de trabalho, o controle rígido da produtividade, jornadas de trabalho prolongadas que causam o stress físicos ou psíquico, a monotonia, repetitividade e o trabalho noturno também são risco ergonômicos que podem levar a acidentes ou doenças profissionais. - Como prevenir Adotando o uso de cadeiras ergonômicas (com regulagem de altura, assento, encosto), layout adequado às características físicas das pessoas, postura correta, boa iluminação, realizando ginastica laboral (ginástica que exercita as partes que são muito exigidas durante o trabalho e previne o surgimento de inflamações). e) Riscos De Acidentes Todas aquelas situações onde as coisas não se encontram em seus devidos lugares, onde há falta de espaço, ou até mesmo de organização, são um grande convite aos acidentes. Dizemos então que existe o risco de acidente sempre que houver arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos com partes móveis desprotegidas, uso de ferramentas inadequadas ou com defeito, excesso ou falta de iluminação, comandos elétricos desprotegidos, aparelhos elétricos sem aterramento e quaisquer outras situações que contribuam para as ocorrências de acidentes. - Como prevenir • Com ações que tornem o ambiente organizado, como por exemplo a implantação de programas de qualidade, como o D´OLHO, que deixam o ambiente com as condições necessárias para o trabalho, contribuindo na redução de acidentes; • Não utilizando equipamentos com defeito, nem adotando soluções caseiras ou provisórias que ofereçam risco; • Não tentar resolver problemas mecânicos ou elétricos nas maquinas e equipamentos se você não foi treinado para isto. PROTEÇÃO DO NOSSO CORPO NO TRABALHO 1 - Mãos São um dos órgãos mais complexos do corpo humano. Sua sofisticada estrutura é composta por significativa quantidade de nervos, tendões, tecidos e ossos, que trabalham sincronizadamente permitindo realizar um grande número de operações, como por exemplo a de agarrar objetos. No trabalho, as mãos contribuem para o desenvolvimento de nossas atividades tornando-se a ferramenta mais valiosa que possuímos. a) Principais causas de lesões nas mãos É fácil concluir que equipamentos defeituosos, ferramentas danificadas, local de trabalho inadequado, são responsáveis por danos nas mãos. No entanto, na maioria das vezes, as lesões ocorrem por total descuido e são causadas por descuido resultante de: • Tédio ou cansaço ao se executar um trabalho rotineiro; • Descaso quanto a adoção das medidas de segurança estabelecidas, pela falta de atenção e distração; • Não uso de equipamento de proteção, no trabalho com produtos químicos ou umidade sem o uso de luvas impermeáveis ou creme de proteção. b) Dispositivos de proteção das mãos em máquinas • Evite operar máquinas ou equipamentos que não possuam dispositivos de proteção; • Utilize o sistema de duplo acionamento; • Utilize todos dispositivos instalados na máquina; • Utilize sempre as proteções existentes nas máquinas. 2 - Aparelho Auditivo A exposição do trabalhador a elevados níveis de ruídos pode causar: fadiga, pressão alta, zumbidos, tensão, nervosismo e, o pior de todos, a perda gradativa da capacidade auditiva. Constantes exposições a níveis de ruídos sem a devida proteção, podem causar a perda definitiva da audição. Os primeiros sintomas da perda auditiva são representados pela dificuldade em se perceber sons emitidos em freqüência mais altas como os derivados de campainhas de telefone. Em seguida cada vez se percebe menos as freqüências que se originam da pronuncia de algumas consoantes e depois as derivadas da pronuncia das vogais. Por ultimo, a incompreensão da comunicação verbal, como conversas ao telefone, novelas na tv, etc.. Os efeitos da exposição prolongada ao ruído no aparelho auditivo humano são bem conhecidos e decorrem de lesões das células sensoriais do ouvido interno. - Como preservar a audição • Utilize sempre o protetor auricular em áreas com ruído; • Procure adaptar os protetores auriculares da melhor forma possível, possibilitando uma eficaz vedação dos ouvidos ao ruído; • Sempre que a conversação for difícil, neste ambiente se faz necessário o uso de protetor auricular; • Higienize seus protetores ao final de cada jornada de trabalho com água morna e sabão neutro; • Não divida o uso de seu protetor auricular com outra pessoa. O uso é individual; • Submeter-se a exame audiométrico pelo menos uma vez ao ano. 3 - Olhos E Face Em determinadas situações de trabalho, verificamos com certa evidência a necessidade de se fazer uso de protetores para a face e olhos e cabeça. Existem entretanto, outras, onde maiores informações são exigidas para que possam ser detectados certos tipos de riscos e consequentemente, a necessidade de escolha de um protetor para cada caso em particular. a) Características dos equipamentos de proteção dos olhos e faces • Protetores faciais: visam dar proteção à face e ao pescoço contra lesões ocasionadas por partículas, respingos de produtos químicos, calor radiante provenientes de operações a quente e radiações luminosas. Podem ser incolores ou com tonalidades. Incluem-se também as máscaras para soldadores e para corte a arco elétrico; • Óculos do tipo convencional: óculos de segurança para trabalhos que possam causar ferimentos nos olhos, provenientes de impactos de partículas; • Óculos contra gases e vapores: óculos contra respingos, para trabalhos que possam causar irritações nos olhos e outras lesões decorrentes da ação de líquidos e vapores presentes no ar. Estes óculos devem possuir sistema de vedação completa para evitar que haja a penetração dos agentes agressivos; • Óculos contra ofuscamento e radiações lesivas: existem diversas naturezas e radiações, porém são apresentadas apenas os aspectos das radiações infravermelha e ultravioleta; • Radiação infravermelha: são encontradas na luz solar, em fornos de fundição, fornalhas, metais incandescentes, materiais em fusão, solda a gás e solda elétrica; • Radiação ultravioleta: são encontradas na luz solar (causam as queimaduras) em equipamentos com arco voltaico e trabalhos com lâmpadas ultravioletas; • Óculos contra aerodispersóides: entende-se que são todas as partículas solidas presentes no ar. 4 - Crânio O capacete de segurança é o equipamento mais utilizado para a proteção craniana. Próprio para trabalhos sujeitos a: • Agentes meteorológico (trabalhos a céu aberto); • Impactos provenientes de quedas e projeção de objetivos; • Queimaduras, choque elétrico; • Respingos de produtos químicos ou líquidos quentes. 5 - Pés São um ponto bastante vulnerável e bastante propício aos acidentes do trabalho. Quase sempre existem objetos perfuro-cortantes (pregos, chapas, rebarbas metálicas, etc.) dentro da área fabril. O ponto crítico da proteção dos pés, no entanto, é a biqueira do calçado de segurança, pois a grande maioria dos acidentes com os pés ocorre por choque contra obstáculos na parte dianteira do calçados, que pode ocorrer devido a: • Surgimento de um obstáculo imprevisto tais como degraus, cantos vivos, etc; • Queda de um corpo sobre o pé – martelo, ferramenta,...; • Pressão estática sobre o pé, como a passagem da roda de um caminhão ou empilhadeira sobre o pé. Os calçados de segurança devem ter, portanto, uma biqueira resistente de acordo com a atividade executada, pois cada tipo de calçado foi testado e aprovado para uma finalidade. Os calçados de segurança podem ter: • Biqueira de aço: destina-se a proteger os artelhos, que é a parte mais atingida no caso de queda de objetos; • Biqueira plástica: em locais onde há o risco de queda de pequenos materiais, ou choque com materiais leves, tais como plásticos, papelão, etc; • Palmilha de aço: a palmilha de aço incorporada ao solado oferece proteção à planta do pé, contra pregos, vidros e outros agentes semelhantes; • Solado antiderrapante: o desenho de sola faz com que o usuário se locomova com mais segurança em pisos escorregadios; • Calçado isolante: não possui biqueira de aço, nem quaisquer outras peças metálicas, com solado de borracha isolante é próprio para os eletricista; • Bota de PVC: nos trabalhos em que haja umidade no piso, seja pela realização de lavagem, limpeza de tanques, ou em indústrias químicas, deve ser utilizada a bota de PVC, que é impermeável. É importante salientar que, mesmo em atividades que não existam risco de queda de materiais sobre os pés, choque com objetos, cantos vivos ou onde não há necessidade de uso do calçado de segurança, a legislação obriga todos os trabalhadores a utilizarem calçados resistentes fechados, inclusive nos setores administrativos. REGRAS SOBRE A SEGURANÇA DO TRABALHO Hoje em dia, fazer as coisas com segurança é uma obrigação de todos; e é impossível fazer qualquer coisa com qualidade sem segurança; na vida profissional ou até mesmo em nossos lares, nas ruas ou no trânsito. É uma questão de hábito. A segurança tem que fazer parte de nossa vida, do mesmo modo que a higiene, a qual não temos dúvida que é indispensável, porque conhecemos todas as conseqüências que a falta dela pode trazer. Precisamos, então, conhecer os riscos que nos cercam e que conseqüências eles podem nos trazer, se não tomarmos as precauções necessárias. As regras foram criadas em 1978 através da portaria 3214 do ministério do trabalho chamadas de “Normas Regulamentadoras”, mais conhecidas por “NRs”, que devem ser cumpridas pelos empregadores e empregados, e transgredí–las significa descumprir a lei. Cada norma trata detalhadamente de um assunto específico relativo a Segurança e Medicina do Trabalho, tais como: CIPA, SESMT, EPIs, exames médicos, produtos químicos nocivos à saúde, atividades perigosas, ruídos. Portanto, as Normas Regulamentadoras são a bíblia da segurança e medicina do trabalho. Lá estão as regras, e acabe a nós aplicá–las da forma mais adequada as nossas atividades, visando sempre eliminar, ou pelo menos reduzir, os riscos ambientais existentes no nosso ambiente de trabalho. Regras Básicas De Segurança Do Trabalho 1. Não proceder modificações mecânicas ou elétricas, assim como ajustes ou regulagens em equipamentos a menos que esteja habilitado e autorizado por sua chefia; 2. Os reparos, a limpeza, os ajustes e a inspeção somente devem ser executados com as máquinas paradas, salvo se o movimento for indispensável a sua realização; 3. Não distrair-se com conversas enquanto estiver operando as máquinas. Deve-se afastar dos controles e partes móveis e reassumir o trabalho somente após terminada a conversa; 4. Os operadores não podem se afastar das áreas de controle das máquinas sob sua responsabilidade, quando em funcionamento; 5. Nas paradas temporárias ou prolongadas, os operadores devem colocar os controles em posição neutra, acionar os freios ou adotar outras medidas, com o objetivo de evitar que outros estranhos ao setor façam uso do equipamento; 6. O método correto de operar a máquina deve ser seguido pelo operador e não pode ser alterado; 7. Subir em caixas, em pilhas de material e nas máquinas, quer para inspecioná-las ou por outro motivo qualquer sem que para isto esteja utilizando de escadas ou plataformas adequadas é uma atitude insegura; 8. Para remover sucatas, para limpar ou lubrificar, sempre utilize ferramenta e o EPI adequados; 9. Em caso de acidente o equipamento só voltará a operar após a investigação do ocorrido e preenchimento do Relatório de Acidente do Trabalho (RAT), no qual as circunstancias do fato passam a ser de conhecimento do acidentado, SESMT, CIPA, CHEFIAS, e MANUTENÇÃO, providenciando, a partir das conclusões, medidas corretivas para se evitar novos incidentes; 10. Em qualquer caso de ferimento deve-se comunicar a ocorrência ao supervisor e comparecer imediatamente ao Departamento Médico para o devido atendimento; 11. É obrigatório o uso dos dispositivos de segurança instalados nas máquinas. Ninguém deve operar equipamentos, a menos que seja designado pelo supervisor e treinado para tal; 12. Os comandos das máquinas devem, preferivelmente, ser através de botoeiras com acionamento simultâneo, de modo que a mão não esteja na zona perigosa da máquina; 13. A boa ordem e limpeza dos locais de trabalho devem estar livres de sucata e outros resíduos, a serem depositados em recipientes adequados; 14. Materiais ou recipientes não devem ser colocados em corredores ou outros lugares, exceto naqueles designados por seu supervisor; 15. Nunca bloqueie o acesso aos extintores e caixas de hidrante, bem como aos painéis de controle das máquinas; 16. Quando qualquer máquina ou equipamento estiver em reparo pelo Departamento de Manutenção, ou quando outro serviço estiver sendo realizado, deverá estar afixada placa indicativa de manutenção ou conserto e o operador não deve ajudar a não ser que seja solicitado, devendo permanecer fora do seu posto de trabalho até que a máquina esteja em condições de operação; 17. Nos dias frios, se houver necessidade de usar agasalhos, não os use com mangas compridas ou enroladas sobre os braços, pois elas são presas fáceis para partes moveis das máquinas; 18. Não retire as proteções das máquinas, pois elas lhe dão a segurança necessária para um trabalho sem acidentes; 19. Cabelos longos e soltos representam perigo para operadores de máquinas, por serem fáceis de prender-se em partes de movimento das máquinas; 20. Não use ferramentas em mau estado. Nessas condições, elas tornam-se perigosas; 21. Não tente parar partes de rotação de máquinas com as mãos; 22. Para manter sempre presente a consciência de atos, atitudes e hábitos de segurança, deverá estar afixado em local visível ao operador os EPIs e EPCs indispensáveis para o desenvolvimento da atividade; 23. Nos acessos das áreas fabris devem esta afixados os EPIs indispensáveis para circulação na área e em cada posto de trabalho os específicos para o desempenho da atividade. DICAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO 1. Aja sempre de forma segura, seja dentro ou fora da empresa, pois na rua ou em nossos lares os riscos não deixam de existir; 2. Utilize os EPIs, pois eles são testados e aprovados por órgãos especializados, e têm certificado de aprovação do Ministério do Trabalho, para proteger determinado risco e recomendados de acordo com os riscos pelos profissionais do SESMT, especializados no assunto; 3. Zele pelo seu EPI, pois se você danificar ou perder, poderá arcar com os custos de reposição. Perfurar protetores auriculares para colocação de fones de ouvido de rádios, além de danificar o EPI, causa perda auditiva, resultando em punição e descontos do valor do EPI; 4. O uso do calçado de segurança é obrigatório a todos os setores de produção, e nos demais setores calçados fechados; 5. Acredite no êxito desse programa, e acredite que segurança é prioridade, pois sem segurança não existe qualidade nem produtividade satisfatória. Portanto, prevenir acidentes é fundamental para obtermos resultados satisfatórios na empresa; 6. Nenhum trabalho é tão urgente ou importante que não possa ser planejado e executado com segurança. Cometendo um ato inseguro ou constatando-se a não utilização dos EPIs ou EPCs, desde que os mesmos estejam a sua disposição, caracteriza-se um ato faltoso, acarretando as penalizações impostas pela empresa, embasadas na CLT conforme artigos 157,158 e 482.h, quais sejam: - 01 advertência verbal; - 01 advertência por escrito; - 02 suspensões; - Demissão por justa causa. Lembre-se da ordem correta de um trabalho: 1º Segurança; 2º Qualidade; 3º Produção. CONDIÇÕES PARA UM BOM PLANO DE SEGURANÇA DO TRABALHO • Segurança como responsabilidade de linha e função de staff; • Segurança não restrita à área de produção (estendendo-se aos escritórios, depósitos, etc); • Meios de prevenção determinados pelas condições de trabalho, ramo de atividade, tamanho e localização da empresa, etc; • Envolver a adaptação do homem ao trabalho, do trabalho ao homem e fatores sócio- psicológicos; • Pode envolver treinamento, simulações de acidentes, inspeção periódica de equipamentos de combate a incêndios e primeiros socorros, além da escolha, aquisição e distribuição de materiais de segurança (roupas, luvas, óculos, botas, macacões, etc). DICIONÁRIO DE SEGURANÇA DO TRABALHO - EPI - Equipamento de Proteção Individual – São equipamentos de uso individual (não pode ser emprestado ou usado por mais de uma pessoa) que servem para proteger de algum risco; - EPC - Equipamento de Proteção Coletiva – Tratam-se de equipamentos destinados a proteger várias pessoas e não são de uso coletivo; - SESMT - Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. É composto por Técnicos de Segurança do Trabalho, Engenheiros de Segurança do Trabalho, Médicos do trabalho, Enfermeiros do trabalho e Auxiliares de Enfermagem do Trabalho. Esta equipe trata de todos os assuntos que se referem a prevenção de acidentes e doenças profissionais; - CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho. É uma comissão formada por empregados que tem por objetivo auxiliar na prevenção de acidentes; reunindo-se mensalmente, analisando todos os acidentes ocorridos, elaborando medidas para prevenir e corrigir causas de acidentes; - Mapa de riscos ambientais - é uma representação gráfica dos riscos existentes nos setores da empresa, elaborado pela CIPA, segundo a opinião de todos os colaboradores, que respondem um questionário sobre as condições de trabalho. Depois de coletados os dados, os questionários são avaliados para montagem do mapa; - AT - Acidente do Trabalho. Existem dois conceitos para acidente do trabalho: O conceito legal e o prevencionista: • Conceito legal: Acidente do trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. • Conceito prevencionista: acidente do trabalho é uma ocorrência não programada, inesperada ou não, que interrompe ou interfere no processo normal de atividade. - Acidente de trajeto - legalmente é equivalente ao acidente de trabalho, e ocorre no trajeto usual dentro do tempo normal de deslocamento de casa para o trabalho ou nos intervalos para refeições. - SIPAT - Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho- É realizada anualmente pela CIPA e SESMT, com o objetivo de realizar atividades que auxiliem na prevenção de acidentes do trabalho e doenças profissionais; - Doença profissional - doença adquirida em função de exposição a algum risco no trabalho, tais como tendinite (inflamação crônica dos tendões devido a movimentos repetitivos). Legalmente, a doença profissional é considerada como acidente do trabalho; - CAT - Comunicação de Acidente do Trabalho. Formulário preenchido com o registro do acidente, que é encaminhado ao INSS comunicando o acidente ou doença profissional. Em caso de afastamento superior a 15 dias, o salário do dia do acidente e dos próximo quinze dias é pago pela empresa, e a partir daí pelo INSS, através de um benefício, e o acidentado só retorna ao trabalho quando liberado pela perícia médica do INSS.

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