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8 de junho de 2010

Os problemas ambientais da atualidade – A água

Foto: Jornal O Globo-Lagoa de Jacarepaguá

Por Jorge Paulino

Engenheiro Eletricista

Os problemas ambientais da atualidade, como o aquecimento global, desmatamento, desertificação, extinção de espécies, descartes inadequados de resíduos industriais (altamente contaminante) e lixo urbano, são objetos de estudos constantes dos especialistas.

São diversos os questionamentos sobre a própria continuidade e sobrevivência do planeta principalmente pela possibilidade da escassez de água pura em um futuro próximo.

O crescimento econômico mundial, a constante degradação do meio ambiente e a possibilidade de exaustão dos recursos naturais colocam em risco a sociedade mundial, com o desequilíbrio da proteção do meio ambiente e nos trará um horizonte de profundas mudanças climáticas causando provável escassez de alimentos e água potável.

A sociedade se organiza e cobra esforços mais eficazes dos líderes mundiais para alterar esse quadro de previsões sombrias. Aos poucos começam a se disseminar um novo modelo sustentável de desenvolvimento, portanto, faz-se necessário a execução de ações e políticas públicas e privadas, investimentos em pesquisa científica e tecnológica, e adoção de novas tecnologias não exaustoras do meio ambiente.

Precisamos investir no gerenciamento racional dos recursos naturais sustentáveis, que surgem para integrar os processos de crescimento econômico mundial, precisamos ainda preservar os recursos naturais ainda intocáveis.

As Empresas vivem hoje um grande paradigma, que é crescer sem causar impactos ao Meio Ambiente, como usar bem e de forma eficiente os recursos, e como incorporar a Qualidade Ambiental à Qualidade Total.

Os novos produtos ou serviços deverão estar em conformidade com Normas Ambientais tanto nacionais e até normas internacionais, utilizarem cada vez menos recursos ambientais não renováveis e serem Empresas reconhecidas pelo envolvimento na Responsabilidade Social e Ambiental.

O Cenário de Hoje

As altas taxas de crescimento, tanto populacional urbano quanto econômico, neste caso principalmente o industrial e o agrícola, traz um cenário que certamente será acompanhado pelo aumento da demanda de água. É fundamental a adoção de práticas como o uso racional e eficiente da água, gestão de efluentes e do reuso das águas, na redução de despejos de efluentes no corpo receptor e a reutilização dessa água com estabelecimento de níveis de tratamento recomendados.

As possibilidades e formas potenciais de reuso dependerão, evidentemente, de características, condições e fatores locais, principalmente decisões políticas, esquemas institucionais, disponibilidade técnica e fatores econômicos, sociais e culturais.

Os setores industriais, as agro-indústrias, os de serviços incluindo nesse caso os grandes Empreendimentos Comerciais e Condomínios, que são importantes usuários de água e grandes geradores de efluentes, precisarão adotar novos modelos de consumo e de geração desses efluentes.

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.

19 de maio de 2010

Impactos Ambientais - Introdução aos métodos de avaliação

(Foto: lixo acumulado na barragem de Pedreira, rio Pinheiros - São Paulo. Leonam, 2010)

Por Leonam Souza
Engenheiro Agrônomo 

Técnicas ou métodos de avaliação de impactos ambientais são instrumentos que visam identificar, avaliar e sintetizar os impactos de um determinado projeto, programa ou empreendimento. A aplicação destes métodos, entretanto, mostra-se limitada pela própria dificuldade de prever a evolução de sistemas tão complexos quanto os ecossistemas. Estas limitações tornam-se ainda mais evidentes quando tratamos com impactos sociais, onde tanto a identificação como a predição e a avaliação da dinâmica social desencadeada por uma ação ou projeto estão sujeitas a aspectos de caráter econômico, cultural e psicológico, de apreensão bastante complexa. Os métodos que vêm sendo aplicados são basicamente de dois tipos:
·         adaptações de métodos consagrados em áreas de conhecimento específico para utilização na avaliação de impacto ambiental; e
  • métodos diretamente desenvolvidos para atender o dispositivo legal que orienta a realização de estudos de impacto ambiental, que corresponde, no Brasil, à Resolução CONAMA 001/86.
Uma questão central está na unidade de medida a ser utilizada para mensurar aspectos tão diversos quanto os ambientais, como por exemplo, a poluição do ar, os efeitos sobre a saúde ou os impactos sobre uma determinada estrutura social ou cultural. Em linhas gerais, o primeiro grupo de técnicas busca uma mensuração destes aspectos em termos monetários, enquanto o segundo procura aplicar escalas valorativas aos diferentes impactos, medidos originalmente em suas respectivas unidades físicas. Os métodos pertencentes a este segundo conjunto são genericamente denominados de quantitativos.

Assim, as técnicas são instrumentos de apoio à realização de estudos de impacto ambiental, cuja utilização deve estar sempre inserida no corpo do método adotado no estudo. Podem ser aplicadas para: ordenar (p.ex., checklists); agregar (p.ex., matrizes, diagramas); quantificar (p.ex., modelos de simulação, análise multi-critérios); representar graficamente (p.ex., overlays, matrizes, diagramas) informações geradas nos estudos. Essas técnicas são importantes para tornar transparentes as informações utilizadas e para facilitar a compreensão dos procedimentos utilizados nos estudos. A representação gráfica, em especial, tem importância fundamental para o RIMA, por se tratar de documento necessariamente de fácil compreensão pelo público.

A incorporação do conhecimento técnico-científico à avaliação de impacto ambiental exige a utilização de técnicas e modelos específicos de análise da vulnerabilidade/sensibilidade de cada fator natural (solo/subsolo, clima/atmosfera, águas superficiais, águas subterrâneas, biótopo, etc.) e do potencial de danos representado por cada atividade humana.

Os métodos quantitativos são classificados em duas categorias:
  • Métodos preponderantemente centrados na identificação e caracterização dos impactos. São os mais comumente empregados;
  • Métodos que incorporam complexas bases de cálculo e permitem valorizar impactos mais difusos. Por exigirem uma base de dados mais completa, mais tempo e mais recursos financeiros para a sua elaboração, só são utilizados em casos específicos.
Na primeira categoria encontram-se os métodos tipo Listagem de Controle (Check-Lists), as Matrizes de Interação, os Diagramas de Sistemas, os Métodos Cartográficos, as Redes de Interação e os Métodos Ad Hoc;

Na segunda categoria encontram-se os métodos como o de Battelle e Análise Multicritério, que explicitam as bases de cálculo, e a Folha de Balanço e a Matriz de Realização de Objetivos, que desagregam a avaliação segundo a ótica de diferentes grupos (Magrini, 1990). Nas próximas postagens técnicas abordaremos as características mais importantes de alguns desses métodos.

6 de maio de 2010

O DIAGNÓSTICO AMBIENTAL


Por Leonam Souza
Engenheiro Agrônomo 
Disponível em:  http://leonamsouza.blogspot.com/

Elaborar um diagnóstico ambiental é interpretar a situação problemática dessa área a partir da interação e da dinâmica de seus componentes, quer relacionado aos elementos físicos e biológicos, quer aos fatores sócio-culturais. A caracterização da situação ou da qualidade ambiental pode ser realizada com objetivos diferentes. Um deles, sob a ótica do planejamento, é servir de base para o conhecimento e o exame da situação ambiental, visando a traçar linhas de ação ou tomar decisões para prevenir, controlar e corrigir os problemas existentes. Nesse sentido, a legislação de muitos países determina a realização periódica desse tipo de diagnóstico, em âmbito nacional, às vezes incluindo, além da situação ambiental, uma avaliação do resultado da política ambiental ou dos programas de gestão que têm sido implementados.

Vários países reconheceram a importância da elaboração dos diagnósticos ambientais nacionais e determinaram por lei sua realização (Japão, Suécia, Israel, Espanha, Itália, Alemanha, Venezuela etc.). A entidade de proteção ambiental da Suécia foi quem primeiro começou essa prática, em 1969. No Brasil, a SEMA patrocinou a execução do primeiro Relatório de Qualidade do Meio Ambiente (RQMA), publicado em 1984. O Decreto no 88.351, de 01.06.83, assim como os decretos que o modificaram a partir de então, estabelece em seu artigo 16 a competência do IBAMA para, com base em informação fornecida pelos Órgãos Setoriais do SISNAMA, preparar anualmente um relatório sobre a situação do meio ambiente no País, incluindo os planos de ação e programas em execução, a ser publicado e submetido à consideração do CONAMA, em sua segunda reunião do ano subseqüente.

Outro uso e significado da expressão diagnóstico ambiental que se tem disseminado no Brasil é o referente a uma das tarefas ou etapas iniciais dos estudos de impacto ambiental (EIA) que consiste na descrição da situação de qualidade da área de influência da ação ou projeto cujos impactos se pretende avaliar. A legislação brasileira oficializou a expressão "diagnóstico ambiental da área" para designar esses estudos, no item correspondente ao conteúdo mínimo do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (§ 1o, art. 18, Decreto 88.351/83).
O sucesso de um projeto também depende do correto diagnóstico da qualidade dos compartimentos ambientais. Isto só acontece quando a qualidade técnica é assegurada em todas as etapas do processo. Em especial, as investigações de solos e águas têm importância decisiva sobre as conclusões do diagnóstico ambiental de uma área, que corresponde ao ponto de partida para os projetos de engenharia e para a implantação de obras de recuperação. O Diagnóstico ambiental consiste na elaboração de uma descrição e análise dos recursos naturais e antrópicos em suas diferentes interações. Portanto, este diagnóstico deverá caracterizar:

(a) o meio físico: solo, subsolo, as águas, ar, clima, recursos minerais, topografia e regime hidrológico;

(b) o meio biológico: fauna e flora;

(c) o meio sócio econômico: uso e ocupação do solo; uso da água; estruturação sócio econômica da população; sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais; organização da comunidade local; e o potencial de uso dos recursos naturais e ambientais da região.

Autorizada a reprodução total ou parcial deste Artigo, desde que citada a fonte. Vedada a memorização e/ou recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de trechos ou partes, em qualquer sistema de processamento de dados.

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