Por Jorge Paulino
Engenheiro Eletricista
É fundamental o perfeito detalhamento de todos os custos, isto permitirá o estudo das correlações entre o nível das atividades, o volume produzido e os custos e as receitas obtidas em um determinado período, dando ao gestor o panorama do desempenho produtivo e a saúde financeira da empresa.
A definição de custo, segundo Peinado e Graeml no seu livro Administração da Produção (Operações Industriais e de Serviços), é “todo aquele gasto ou aplicação de origem que tem como contrapartida, uma receita que produza um valor residual ao qual damos o nome de lucro”.
Ainda segundo Peinado e Graeml, podemos classificar os tipos de custos como:
Custo primário: é o custo constituído apenas pela matéria-prima (incluindo os componentes) e mão-de-obra direta consumidos para a fabricação de um determinado produto.
CP = MP consumida + MOD; (MP consumida = EIMP + MP comprada - EFMP)
Onde:
CP = custo primário
MP = matéria-prima
EIMP = estoque inicial de matéria-prima
EFMP = estoque final de matéria-prima
Custo de transformação: representa os gastos da empresa para transformar a matéria-prima e componentes em produtos acabados. É constituído pela mão-de-obra direta e pelos gastos gerais de fabricação.
CT = MOD + GGF
Onde:
CT = custo de transformação
MOD = mão-de-obra direta
GGF = gastos gerais de fabricação
Custo de produção: representa, num período de tempo, o custo dos insumos utilizados no processo de transformar a matéria-prima e componentes em produto acabado.
Cpro = MP consumida + MOD + GGF
Onde:
Cpro = custo de produção
MP = matéria-prima
GGF = gastos gerais de fabricação
Custo dos produtos fabricados: representa, num determinado período, o custo de produção de produtos (bens + serviços) efetivamente fabricados no período. Levam em consideração os estoques de produtos em fase de fabricação que se encontram na organização.
CPF = EIPP + Cpro – EFPP
Onde:
CPF = custo dos produtos fabricados
EIPP = estoque inicial de produtos em processo
EFPP = estoque final de produtos em processo
Custo dos produtos vendidos: representa o custo dos produtos efetivamente vendidos no período. Levam em consideração os estoques de produtos acabados, ou em fase de produção, que se encontram na organização.
CPV = EIPP + EIPA + Cpro - EFPP - EFPA
Onde:
CPV = custo dos produtos vendidos
EIPP = estoque inicial de produtos em processo
EIPA = estoque inicial de produtos acabados
Cpro = custo dos produtos produzidos
EFPP = estoque final de produtos em processo
EFPA = estoque final de produtos acabados
A análise de Custo-Volume-Lucro – CVL
A análise CVL, é uma das ferramentas mais utilizadas nas empresas, ela estuda o comportamento entre os custos incorridos, volume de produção e todas as receitas decorrentes de um período pré determinado pelo gestor.
Apesar de ser um poderoso instrumento para a tomada de decisões, ele deve ser vista como uma ferramenta auxiliar nos processos de planejamento e controle empresariais.
Os critérios para a analise deverão ser previamente estabelecidas tais como:
a) os preços de venda permanecerão constantes para qualquer nível de atividade;
b) todos os custos podem ser classificados como sendo fixos ou variáveis;
c) o montante dos custos variáveis será diretamente proporcional ao volume de produção;
d) os preços dos insumos permanecerão constantes para qualquer volume de compras;
e) o período de tempo correspondente ao tempo de planejamento, não havendo mudanças na política administrativa, no processo produtivo, na eficiência de homens e máquinas, e no controle de custos;
f) o volume de produção e o volume de vendas apresentarão um alto grau de sincronização, não havendo mudanças significativas nos níveis de inventário;
g) todos os produtos fabricados são vendidos.
O custo variável, mudo em proporção às alterações do nível de produção, neste caso, as matérias primas, variará conforme o volume a ser produzido.
A importância da verificação do Ponto de Equilíbrio
Define-se como Ponto de Equilíbrio, o nível em que o volume de vendas se iguala aos custos totais, melhor definindo, o ponto em que o lucro se iguala a zero.
Para os gestores, torna-se fundamental projetar o nível de produção que gerará receita necessária e suficiente para a cobertura dos custos totais, qual o volume de vendas necessário para obter determinado lucro, qual o lucro esperado para um dado nível de vendas e como qualquer mudança nos custos (fixos e variáveis), no preço de venda, ou na quantidade irá alterar os lucros.
Entender o comportamento dos custos facilita a análise de determinação do nível de operação provável para maximizar os lucros.
A análise do ponto de equilíbrio baseia-se na decomposição dos custos (fixos e variáveis), sendo a equação do custo escrita da seguinte forma:
CT = CF + CV
Onde:
CT = custo total
CF = custo fixo
CV = custo variável
Receita = P x Q
Onde:
P = preço/unidades
Q = quantidade
Lucro = R – CT
Onde:
R= Receitas
CT = custo total, e:
Lucro = Margem de contribuição total – Custo Fixo
A diferença (P – V) entre o preço e o custo variável unitário é definida como margem de contribuição unitária. Esse é o montante com que cada unidade produzida e vendida contribui para cobrir os custos fixos e obter lucro. A equação do lucro fica da seguinte forma:
Lucro = Margem de contribuição Unitária x Produção em Unidades – Custos Fixos
Para determinar o ponto de equilíbrio em unidades (Q), considere-se o lucro igual a zero:
Peq = CF/(PV-CV)
PONTO DE EQUILÍBRIO EM UNIDADES =CF/Margem de Contribuição Unitária
A análise do ponto de equilíbrio pode ser utilizada quando precisamos determinar o nível de produção necessário para atender à expectativa de um lucro predeterminado, um lucro meta (LM). Assim, a equação do lucro fica da seguinte forma:
Peq =CF+LM/(PV-CV)
Peq= CF + LM/(Margem de Contribuição Unitária)
Os processos de planejamento empresarial, envolvem uma criteriosa seleção de objetivos e uma definição dos meios para atingi-los.
Hoje, com a globalização e com a concorrência, o lucro passou a ser uma conseqüência final da gestão empresarial, para qual concorrem muitas outras variáveis tais como receitas, custos, despesas, volume ou mesmo os níveis de atividade.
A maximização dos lucros, constitui o objetivo mais relevante e clássico de qualquer organização empresarial com fins de lucro, por esta razão, para a alta administração das organizações empresariais, necessita-se dispor de uma técnica de análise que permita estudar os inter-relacionamentos e a influência em relação ao lucro.
Diversos autores, abordam o tema, alguns de maneira tradicional outros com abordagens inovadoras, porém todos priorizam a busca da Lucratividade Máxima, da Capacidade Produtiva, e da Qualidade Total.
Em seu livro, A meta: um processo de melhoria continua, Eliyahu M. Goldrattt, usa de uma seqüência de conclusões lógicas através da Teoria das Restrições e conclui que a meta da empresa com fins lucrativos deve ser a de "ganhar dinheiro" tanto no presente como no futuro e "A garantia de continuidade da empresa é obtida quando o valor dos bens econômicos dos bens e serviços que a empresa produz que oferece ao mercado e torna-se superior ao valor econômico dos recursos (bens e serviços) que a empresa obtém do mercado e consome no processo produtivo de agregação de valor."
Segundo Goldrattt, a proposta da Teoria das Restrições é estabelecer a necessidade de informações para tomada de decisões, principalmente as de curto prazo.
O modelo opõe-se ao tradicional da contabilidade de custos, o qual se apóia no rateio de custos fixos e conseqüentes alocação aos produtos.
Na visão de Goldrattt, o custo final do produto é estabelecido por medidas operacionais globais e os valores relativos a custo são mensurados e organizados no sistema de informações da empresa.
O Modelo de Decisão da Teoria das Restrições, segundo Goldrattt
1 - Identificar todas as restrições do sistema produtivo;
2 - Decidir como explorar essas restrições;
3 - Subordinar qualquer mudança à decisão anterior;
4 - Elevar as margens de restrições do sistema;
5– Em caso de quebra da seqüência, volte a anterior, mas não deixe que o problema se torne uma restrição do sistema.
2 - Decidir como explorar essas restrições;
3 - Subordinar qualquer mudança à decisão anterior;
4 - Elevar as margens de restrições do sistema;
5– Em caso de quebra da seqüência, volte a anterior, mas não deixe que o problema se torne uma restrição do sistema.
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